A reportagem especial do Fantástico, exibida pela Rede Globo no domingo (25), gerou grande polêmica entre os advogados que assistiam ou vieram a tomar conhecimento da causa.

Cobranças de honorários exorbitantes, de trabalhadores rurais que tinham problemas em receber a aposentadoria e que eram enganados por advogados espertalhões tornou-se o ápice das discussões advocatícias. Estes se passavam por profissionais e aproveitavam da humildade e falta de conhecimento para ficar com parte ou, em muitos casos, todo o dinheiro de pessoas que pouco tinham.

Uma notícia desse tipo colocada em horário nobre é como jogar aos leões um pedaço de carne.

Publicidade
Publicidade

E como diz o ditado "Generalidades é a mãe das desgraças". Advogados, em sua maioria, tiveram sua idoneidade e honestidade colocada em prova por conta de maus "advogados". Mas esse não é um problema apenas desta profissão. Todas, sem exceção, têm bons e maus exemplos que denegrirão toda uma classe.

Mas, visto os honorários que a Ordem dos Advogados (OAB) propõe aos advogados previdenciários, seria essa forma a única de melhorar a própria saúde financeira? Extorquir dinheiro de pessoas e, além de tudo, expor outros profissionais às mesmas comparações?

Pois então, isso foi o que o Fantástico fez! Sem dó nem piedade, estruturou uma matéria para que toda uma dramatização em torno da classe dos advogados fosse cruelmente desfavorecida. Durante toda a reportagem, cortes estratégicos foram feitos e lamentosas trilhas sonoras foram exibidas, uma clara indução hipnótica que a mídia faz sobre um pequeno grupo de advogados e que passa a representar toda uma classe, em todo território nacional e internacional.

Publicidade

Ficou clara a conjuntura em que foi estruturada a matéria, sem nenhuma ponderação e razoabilidade, o Fantástico deixou bem clara a mensagem que queria passar: "Advogados são sempre os espertos da história e os clientes são sempre lesados!" Como assim? Essa foi a ideia deixada pela matéria feita erroneamente sobre uma problemática que poderia ser representada e exposta de outra forma.

Pessoas humildes? Sim. Pessoas com pouco conhecimento? Sim. Mas nem por isso profissionais que dedicaram anos de estudo acadêmico precisam trabalhar a título de miséria. E a situação foi apresentada sem histórico de trabalho. Advogados passam anos a fio sobre um processo, mas tudo foi esquematizado perfeitamente para que a imagem do advogado fosse exibida clara e evidentemente fixada na mente do telespectador na forma de "todos os advogados são desonestos".

Cerca de 300 mudanças diárias de leis e jurisprudências são realizadas no nosso digníssimo país. Horas exaustantes de análise, pesquisa e a confecção de partes que possam montar um processo, gastando mais de 60% do tempo de trabalho dos tais "advogados espertos da história".

Publicidade

Mas a parte mais difícil está em montar o processo judicial, as peças-chave que vão moldurar a causa, daí sim, 30% dessa etapa é gasta e os ladrões encerram o processo! Errou, não para por ai! Perde-se mais algum tempo em tribunais, cartórios, visitas aos clientes e a prospecção de tristes clientes que sempre estão insatisfeitos. Sem contar com os inadimplentes que, ai sim, abalam qualquer estrutura financeira e desbancam qualquer conta bancária!

Quantos clientes inadimplentes lesam advogados e nem por isso as vias da mídia declaram em alto e bom som que são "clientes espertos e os advogados são sempre lesados". Restam apenas a estes advogados as vias tradicionais, o que demonstra a clareza do desequilíbrio dessa relação.

Faço jus às palavras da OAB em uma nota pública, que afirmou que a matéria retratou apenas uma minoria de profissionais, sendo a quase totalidade da classe composta por dignos e honrados advogados.

Todos precisam de dinheiro para viver, falar que não é ser hipócrita e mentir a si próprio! #Opinião