Há alguns dias, repórteres da TV Globo flagraram presos no Sistema Prisional de Pernambuco agindo livremente, apesar de estarem cercados pelos muros da prisão. Portavam armas, celulares, negociavam drogas, tinham acesso à internet, faziam festas e tudo mais que um cidadão do lado fora daqueles muros pode fazer. Veja aqui o que escrevi sobre o assunto.

Não demorou, o secretário pediu demissão e, com novos nomes, a pressão para resolver os problemas acabou sendo sentida na parte mais fraca dessa corrente, ou seja, no lombo dos criminosos.

Rebeliões começaram a pipocar quando a estrutura foi ameaçada por mudanças e, claro, extinção das regalias que os presos estavam tendo.

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Já ocorreram até homicídios entre os detentos. Para eles, a vida é apenas uma mercadoria. De maior valor, sim, mas uma mera mercadoria. Com ela, eles conseguem chamar mais a atenção da sociedade para os seus problemas: Superlotação das celas, estrutura precária, #Justiça morosa, falha e corrupta, falta de atividades, polícias mal preparadas e mal equipadas, políticos que não se incomodam com nada além de seus próprios interesses. Esses são os ingredientes de uma mistura explosiva e perigosa.

Almas sebosas

Há pouco, o mundo parou para acompanhar a agonia de condenados à morte na Indonésia. Procedimentos legítimos determinaram tais mortes. Tudo dentro da lei. Enquanto isso, aqui no Brasil, todos os dias dezenas de pessoas são colocadas nos corredores da morte informais das prisões e delegacias.

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Há, até mesmo, aqueles que nem chegam a ser detidos e são executados ao ar livre, nas ruas. Morrem feito moscas. Todo dia vemos isso nas páginas policiais dos jornais. E temos, inclusive, um termo para designar essas vítimas: Almas sebosas.

Muita gente chega a comemorar quando um corpo desses é encontrado. A polícia antecipa logo a suspeita, que é anunciada com clareza pela mídia: Há envolvimento de drogas. É a forma educativa que a sociedade encontrou para alertar seus cidadãos: "Não mexa com drogas, senão você acaba assim".

Somos responsáveis pelos crimes que eles cometem

Entretanto, como se costuma dizer vulgarmente, o buraco é mais embaixo. É esperado que existam criminosos em qualquer sociedade. O que não é normal é que eles sejam tantos, a ponto da sociedade não poder gerir a situação. Tampouco é normal que a existência dos crimes impeça a vida normal da maioria da população.

O problema pode ser visto exatamente na mesma equação que envolve crime, educação, condições de vida e a sociedade.

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Considere que a sociedade somos nós e os outros termos são consequências de nosso modo de agir e pensar enquanto povo. Quanto menos educação, menos condição de vida e mais crime.

Somos nós que fazemos as leis. Somos nós que elegemos nossos representantes. Somos nós que ficamos calados quando a educação vai de mal a pior. Somos nós que produzimos esses criminosos.

Somos responsáveis por tudo isso, e não podemos achar bom que eles morram, só para evitar que eles nos matem. Não estamos tão distante deles como queremos imaginar, por isso, devemos começar a nos preocupar com essa parcela da sociedade que não estamos conseguindo acolher.

Matá-los ou deixá-los morrer nos faz tão bandidos quanto eles se tornaram. A melhor forma, portanto, é parar de criar criminosos. Será que sabemos como evitar essa formação? Ou, o que é pior: Será que queremos? #Crise