Há dez dias, cerca de duas mil pessoas foram vítimas de um verdadeiro massacre na Nigéria, na África, de acordo com políticos locais. Já as autoridades, no entanto, dão conta de que o número de mortos é bem menor - cerca de 150. Muitos corpos ainda podem ser encontrados no mesmo lugar em que caíram. E bem pouca gente no mundo ficou sabendo. A dificuldade de conseguir informação na Nigéria tem sido preocupante.

Militares islâmicos do grupo Boko Haram perseguiram e mataram dissidentes na cidade de Baga, no nordeste do país. Mas os holofotes estavam todos voltados para a tragédia ocorrida na França, com 17 mortos e uma enxurrada de manifestações ao redor do planeta.

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É triste morrer na África. O massacre não contou com líderes mundiais marchando em apoio e não teve sequer pronunciamento do presidente nigeriano Goodluck Jonathan, que, no momento da tragédia, estava casando a filha.

Muitos líderes africanos participaram da marcha pela liberdade de expressão em Paris, mas não há informação sobre nenhuma prestação de condolências a seus vizinhos de continente pelas mortes em Baga.

É importante pensar que vivemos na era da informação. E, se por um lado lutamos pela liberdade de expressão, - e de fato devemos, principalmente por ser um princípio indispensável à democracia - por outro há uma necessidade faraônica de democratização da informação, seja no âmbito global ou local.

Se o mundo ficasse sabendo deste massacre na África e as informações sobre a real situação na Nigéria circulassem, talvez todos se comovessem tanto quanto demonstram em tragédias ocorridas na Europa ou na América.

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Mas ao que parece, tem sido cada vez mais difícil conseguir informações junto ao exército nigeriano.

Todo ser humano deve ter direito à informação. Além de fator libertário, ajuda a corrigir determinadas distorções que são forjadas por quem controla a distribuição da informação, decidindo o que vai e o que não vai ser publicado e conhecido por todos. Nesse sentido, engatinhamos como civilização, enquanto se discute se há vida em Marte e qual o novo hit musical do verão. #Terrorismo #Crise