Nomear ministros não é tarefa simples. Principalmente quando o chefe do governo não teve vitória com larga vantagem na eleição em que se elegeu. E secundariamente quando não dispõe de pessoas realmente gabaritadas para os cargos ou tem de fazer escolhas por interesses pessoais e políticos. Na falta de competentes no quadro governista, nomeia opositores ou apartidários.

É conhecida a relação do ministro da Fazenda com pessoas ligadas ao PSDB, tanto que o próprio Aécio Neves, do partido oposicionista, comentou que a nomeação de Joaquim Levy para o cargo constituiu estelionato eleitoral. A presidente Dilma não quer arriscar que se adotem políticas econômicas fora das que se consubstanciem na liberdade de mercado.

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Há alguém assim em seus quadros?

O Ministério das Cidades está ocupado por Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo. Tendo pertencido ao DEM, de oposição (pelo qual se elegeu prefeito), fundou o PSD, Partido Social Democrático, ressuscitando o velho nome do grande partido da política brasileira antes das transformações políticas verificadas depois de março de 1964. Na eleição recente, alcançou bom resultado, até no acesso ao legislativo nacional. É estranho que um presidente de um partido, inicialmente fora dos quadros do governo, agora dentro, ocupe um ministério tão cobiçado. Sabe-se que deseja ter influência sobre o DENATRAN. Tem a feroz iniciativa de arregimentar congressistas e outros políticos descontentes, para se uniram em torno de um novo partido, incluindo o dele mesmo (o DEM reage).

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É clara a sua intenção de criar 4 eixos fora do PT e PMDB, em vez de 2 (PT e um "manco" (PMDB é o manco, segundo seu grupo), para aumentar o poder de fogo do governo Dilma em atuação no Congresso. Há quem explique que o PMDB espera vingar-se na eleição da presidência da Câmara. O ministro não porá, no cargo, sua habilidade e força de desorganizar partidos em ação? "Ministro da Desorganização Partidária (MDP)". Sede de poder tem limites...

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, diz que os médicos cubanos não ganham nem mais nem menos, ganham diferente. Sim, é verdade. Ganham uma parte bem menor que o patrão explorador, que é o Governo cubano. É assim mesmo: ganham diferente...

O ministro Eduardo Braga, das Minas e Energia, garante que Graça Foster continua na presidência da Petrobras, mesmo que haja suspeita. E vai combater a corrupção na Petrobras. Agora? E antes, não?

E o Cerveró diz, para O Globo, que o Conselho de Administração da Petrobras cometeu falta grave ao aprovar a compra da Refinaria de Pasadena. Que falta? Desrespeitou, entre outras, normas internas. Quem do conselho responderá pelo enorme prejuízo? Alguém sabe? #Opinião #Dilma Rousseff