Agora que os ânimos baixaram, podemos, com calma, refletir sobre o "11 de setembro" de Paris. O mundo reagiu com horror e indignação ao ataque terrorista ao jornal Charlie Hebdo. Todos sabem os motivos, mas não foi colocado em debate quem tem razão, se os fundamentalistas islâmicos, o Charlie Hebdo ou nenhum dos dois. O certo é que o massacre ao jornal satírico francês Charlie Hebdo trouxe à tona a discussão. 


Nunca esteve tão em voga quanto agora o debate sobre os limites da liberdade de imprensa e o direito de ofender; se a liberdade de expressão e de imprensa devem ser ilimitadas ou devem se restringir aos valores interpessoais da sociedade. A bandeira da marcha pela liberdade em Paris ostentava os dizeres "Je Suis Charlie" (Eu Sou Charlie) em apoio às vítimas do atentado e à revista satírica sem que fosse feita uma reflexão mais aprofundada, tanto ao nível consciente como nas camadas mais profundas do inconsciente. 


É injustificável matar pessoas em nome de uma religião, assim como não justifica provocar e insultar a fé das outras pessoas escudando-se no humor. Palavra mordaz, com charge satírica e mensagem de ódiocom propósito de ironizar a fé é ofensiva, deixa marca profunda na alma, além de transparecer algo de islamofobia. É uma aberração matar em nome de Deus, mas também não se pode, em nome da liberdade de expressão, ridicularizar a fé. Não defendo os franceses, muito menos os terroristas, mas caricatura tirando sarro do profeta Maomé, em qualquer lugar do mundo, é considerado ofensivo ao povo muçulmano.

Não basta o país ser laico, democrático e civilizado, tem que aprender a respeitar os povos que ainda não alcançaram tais conquistas.

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O grau civilizatório de um país não o qualifica para usar os veículos de comunicação para escarnecer um povo publicamente por motivo de crença ou prática religiosa. A tolerância, o respeito e as liberdades individuais têm que ser levados em conta, não se deve tergiversar-se de suas responsabilidades alegando tratar-se de humor. O humor satírico beira o deboche e é ofensivo, além de ser antiético.

A imprensa alardeia que esse episódio sangrento colocou o direito de livre expressão do pensamento sob o julgo do terror jihadista. A democracia, a liberdade de expressão e a imprensa sempre estiveram sob o julgo da ética, do respeito e da decência. Não vejo civilidade em usar charge ofensiva aos fanáticos religiosos com o propósito de abalar uma fé milenar.

O fanatismo religioso, o totalitarismo a e a desordem de uma determinada sociedade ou de um povo só termina por sua própria conta, por sua própria vontade.

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#Opinião #Terrorismo