É estranho pensar que, em pleno 2014, ainda exista trabalho escravo. Porém, a realidade é nua e crua. Segundo um estudo recente da organização Walk Free, existem, somente no Brasil, aproximadamente 200 mil pessoas trabalhando em cenários realmente escravos, nas quais são englobados os trabalhos em condições degradantes e humilhantes, tráfico de pessoas, trabalho infantil e exploração sexual.

A fim de contornar tal cenário, os governos empenham-se na realização de ações fiscais que mapeiem e, principalmente, resgatem estes cidadãos das condições às quais são submetidos. Segundo relatório que será divulgado pela Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae) foram realizadas 248 ações fiscais, em todo o Brasil, durante o ano de 2014. Ainda de acordo com o relatório, as ações foram realizadas pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel de Combate ao Trabalho Análogo ao de Escravo (GEFM).

As ações resultaram no resgate de 1.590 trabalhadores, os quais prestavam serviços de forma 'análoga' à escravidão em setores como construção civil, pecuária e agricultura: na construção civil, sendo 437 pessoas na construção civil, 344 na agricultura e 228 na pecuária.

O relatório, que ainda encontra-se em fase de consolidação, também mapeou as regiões nas quais as ações foram mais efetivas, levando em consideração o volume de resgates: Minas Gerais ficou no topo da lista como sendo o estado com o maior número de trabalhadores resgatados, com 354. Goiás veio em segunda posição, com 141 pessoas resgatadas. Em terceiro lugar ficou São Paulo, com 139 pessoas.

Das 248 ações fiscais realizadas pelo órgão, as que mais encontraram e resgataram trabalhadores escravos foram as de Macaé (RJ), no setor da construção civil; em Sooretama (ES), nos campos de colheita de café ; em Picos (PI), na coleta da palha da carnaúba; em Tarauacá (AC), na criação de bovinos para corte; em Mineiros (GO), na preparação e fiação de fibras de algodão; e em Parnaíba (PI), na coleta de palha da carnaúba. #Governo