Temida nos anos 80 e 90, e chamada de "o mal do século", a AIDS atemorizou todo o mundo ligado na mídia e mexeu com muitos cientistas em laboratórios à procura da vacina contra o vírus HIV. Não conseguiram nada nesse sentido, mas deram alguns passos no sentido de diminuir os efeitos da contaminação, diminuindo sensivelmente o sofrimento do doente e o risco de morte.

Os coquetéis antivirais não só aliviaram a sintomatologia dos contaminados pelo HIV, como entraram na lista de medicamentos distribuídos pelo Governo Federal. Esse benefício para os pacientes trouxe, entretanto, um efeito colateral de graves consequências sociais, que foi o descaso e o descompromisso que hoje se tem com a AIDS.

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Campanhas não são mais veiculadas, orientações não são mais repassadas e os principais agentes de mudança, que são os jovens, são deixados de lado, numa total falta de planejamento e ações educativas.

Prova disso é a recente pesquisa feita pelo Laboratório de Pesquisa da UniCarioca a pedido do jornal O Globo, que indica que 88% dos entrevistados não usariam camisinha se o parceiro não fizer questão, mesmo sendo a primeira vez de ambos.

O problema não é somente a informação, que todos mostram ter, mas a falta de vontade de assumir uma atitude segura, em troca de melhor desempenho, medo de perder o(a) parceiro(a) ou ainda estragar o clima.

Apesar do risco assumido, muita gente parece não ter noção do perigo que corre no sexo. Isso faz que o Governo tenha que buscar novas formas de alcançar os principais alvos das campanhas, que são os jovens.

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Os índices de contaminação entre essa população cresceu quase 30% nos últimos dez anos.

Essa crescente onda vai aos poucos se disseminando no meio da população em todas as faixas etárias, sexos e condições sociais, abrindo as portas para uma onda de contaminação em grande escala, que poderá colocar em risco parte da população economicamente e socialmente ativa.

Esse processo atinge setores que concorrem para a estabilidade e segurança de nossa sociedade como, por exemplo, a doação de sangue, dias de trabalho parados, mais produção e distribuição de medicamentos, criando dessa forma uma grande ferida no tecido social, que poderia - e deveria - ser evitada pela simples conscientização das que as pessoas não são imunes e que os vírus (da AIDS e de outras doenças) estão passeando por aí, esperando o momento certo para infectar qualquer um descuidado.

Mais que esclarecimento e segurança sobre sexualidade, essa fuga do sexo seguro mostra mesmo é um grande desconhecimento que as pessoas têm sobre o assunto e uma profunda vergonha de falar a respeito.

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Ainda vivemos muitos tabus e tentamos disfarçar essa nossa precariedade colocando em risco nossa segurança, nossa saúde, nossa vida.

Devíamos abrir mais a boca para falar sobre o assunto em salas de aula, nas nossas salas de jantar e de estar de nossas casas. Conversar com nossos filhos, amigos e vizinhos como fazemos para comentar os BBBs da vida ou o resultado do jogo de futebol. Enquanto for tema somente de pesquisas, matérias jornalísticas e conversas de consultório médico, nossa sociedade será eternamente doente.

Continuar fazendo peças publicitárias antes e durante as festas, como o carnaval, é muito pouco para educar. #Educação