Caetano Veloso vaticinou em sua canção: "Pense no Haiti, reze pelo Haiti / O Haiti é aqui / O Haiti não é aqui". As pessoas não se deram conta do apelo pelo pequeno e sofrido país do Caribe, onde até hoje soldados brasileiros patrulham as ruas da capital Porto Príncipe. Nem mesmo Caetano poderia pensar que um dia o Brasil estivesse prestes a tornar-se um outro país.

Pois agora, se não estamos caminhando para a situação abordada por Veloso, pelo menos temos regiões que estão perto de uma terrível e jamais esperada mutação, que nem o próprio cantor e compositor baiano poderia supor.

Mas não vamos nos transformar no Haiti...

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E sim no deserto do Saara - este está nos rondando e querendo ficar por aqui! E isso pode ser constatado com as fotos nos jornais, as imagens na TV. São rios secando, barragens e reservatórios esgotando-se, cidades e regiões inteiras a beira de racionamento. A chuva, que poderia terminar com qualquer semelhança com o deserto africano, parece estar indiferente e deixa que a água torne-se artigo raro nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Será que, tanto como no Saara e na nossa região Nordeste, teremos que nos acostumar com a seca?

Surpresos e desorganizados ante uma situação inédita, os governantes parecem terem sido atingidos por um golpe potente do Anderson Silva: estão grogues, sem saber o que fazer, procurando uma situação que nem sabem qual é e como encontrar... Se o mestre Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) fosse vivo, ele certamente nos brindaria com seus textos críticos e satíricos.

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Talvez até reeditasse o seu FEBEAPÁ - Festival de Besteiras que Assola o País, contando a imensa e inimaginável situação de um país que não sabe o que fazer com a falta de água.

Parece que a solução vai ser a dança da chuva, simpatias populares e alguns aviões teço-teco bombardeando as nuvens para que venham chuvas mais consistentes.

Enquanto isso, me dou por feliz, pois em minha cidade temos dois rios, tem chovido bastante e a vida continua bela e pacata. Situações contrastantes num país onde todos vivem ao sabor do momento, sem quaisquer previsões para o futuro próximo. #Opinião