Durante uma troca de tiros entre policiais militares e suspeitos de assalto no bairro do Cabula, em Salvador, 12 pessoas morreram na madrugada de sexta-feira (06). Segundo a polícia, houve a informação de que um grupo pretendia assaltar um banco da região. Os policiais então se dirigiram para o local e foram recebidos por tiros de cerca de 30 suspeitos. Um sargento foi atingido por uma bala de raspão e a partir daí iniciou o confronto entre os policiais e suspeitos de assalto.

Dos suspeitos atingidos por arma dos policiais, 12 tiveram morte instantânea, dois foram internados em estado grave no hospital Roberto Santos e um foi levado à unidade de saúde, mas recebeu alta médica.

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Os três estão detidos. Os policiais entregaram espontaneamente as suas armas para perícia e a polícia civil recolheu os revólveres, bem como as armas de grosso calibre em posse dos suspeitos que também estavam com coletes de camuflagem utilizados pelo exército.

Qual foi a reação das entidades relacionadas aos direitos humanos?

O pronunciamento do Governador do Estado da Bahia, Rui Costa, chamou a atenção do Instituto Baiano de Direito Processual (IBADPP) ao dizer que não existia nenhum indício de atuação fora da lei por parte dos policiais e que a polícia precisa ter a frieza necessária para tomar a atitude certa.

O IBADPP se manifestou através de comunicado formal, dizendo preocupá-los "o discurso de exaltação e continuidade de uma política de segurança pública de guerra".

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Com esta política, segundo o Instituto, é preocupante o que pode acontecer com a população pobre, principalmente aos jovens negros que passam a ser os inimigos a serem combatidos.

O IBADPP também manifestou-se sobre a preocupação com a legitimidade da operação da polícia militar. Consideram necessário que ocorra uma investigação isenta, ouvindo os sobreviventes, as pessoas da comunidade e o uso das melhores técnicas periciais e para que isso ocorra é essencial o acompanhamento das investigações pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA).

Outra entidade a encaminhar nota oficial foi a Anistia Internacional, dizendo que testemunhas do fato contestaram a ação dos policiais e que há meses recebe denúncias sobre abordagens abusivas da Rondesp (Rondas Especiais da Polícia Militar) .

Alguns representantes da população também se pronunciaram em blogs e redes sociais demonstrando apoio à ação dos policiais, dizendo que "direitos humanos e anistia internacional só aparecem quando bandidos são eliminados". Pelo visto esta ocorrência deu margem à reflexões e promete ser bastante discutida pela sociedade. #Violência