De grão em grão a galinha enche o papo, já diz o ditado popular, e de ponto percentual em ponto, quem enche é o dragão da inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou "apenas" 0,78% em dezembro, o que levou a inflação daquele mês para 1,24%, indicando que a inflação do ano chegou a romper a barreira que o Governo tentava impor, que era de 6,5%. Os números indicados pelo IBGE chegaram a mais de 7%.

A composição desse aumento é feita por aumentos na habitação, energia elétrica, alimentos e bebidas, e transportes. Mas o que aumentou primeiro, e por que?

Como um círculo vicioso, nos vemos à mercê de números que disparam, não conseguem ser controlados e fazem com que novos aumentos sejam criados para compensar aqueles determinados pelos índices oficiais.

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Dizem que quando o combustível aumenta, a conta do supermercado vai atrás para compensar os custos com transporte dos produtos. Quando a energia aumenta, os produtos ficam mais caros, assim como os serviços que dependem do uso da eletricidade. Dessa vez falta água e é a energia que sobe de preço, levando os índices da inflação lá para o alto dos postes, junto dos fios.

Agora, cá para nós, listar produtos prosaicos e completamente fora da realidade cotidiana, como o açaí e sorvete, acusando-os de serem os responsáveis pela alta do índice só pode ser brincadeira.

Mas a escalada da inflação, que até então vinha sendo mantida sob certo controle, pode disparar o desespero e a perda da competência para gerir a economia, fazendo o país voltar aos tempos pré-real, quando a inflação passava dos dois dígitos todos os meses.

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É preciso entender que a economia não é uma atividade unicamente política, mas não está desatrelada das ações dos parlamentares e do alto escalão que governam o país, pois são deles as ideias postas em prática para gerir essas crises.

Não é só maquiando números ou mostrando planilhas que dizem coisas boas e escondem coisas ruins que se governa um país. Por mais dura que seja a realidade, a população precisa saber o que anda acontecendo para, inclusive, poder ajudar no que for possível.

Receber somente as informações que os preços vão aumentar, os salários não vão acompanhar e os cintos serão apertados não é uma boa política. Cuidemos de nossas vidas agora, pois o futuro não parece muito simpático.

Só não vale ficar dizendo que "a culpa é da Dilma", "eu votei em Aécio" ou outras bobagens do tipo, pois além de não resolver, atrapalha por causa da postura revanchista, como se o que atinge um não atingisse outro.

Somos todos brasileiros e o nosso barco está fazendo água. Ou nos salvamos todos, ou morremos todos. Não tem meio termo nessa história, por isso o melhor é darmos as mãos e enfrentarmos o problema juntos.