Já chegou ao fim a greve dos caminhoneiros. Depois de travarem as rodovias do Brasil e impedirem que seus companheiros trabalhassem, os caminhoneiros entraram em acordo com o Governo Federal e tudo voltou ao normal. Suas solicitações eram legítimas, afinal de contas aumentaram tudo, menos o valor do frete.

Porém, até quando poderemos contar com eles? Será que semana que vem não irão parar novamente e deixar o povo sem combustível, pagando mais caros por frutas e hortaliças? Quem sofre é o brasileiro que está nas mãos deles para poder comprar esses bens.

Poderia ser diferente caso o poder público investisse em outras maneiras de escoar a mercadoria.

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A melhor e mais barata (tendo em vista os custos depois de sua construção) seria por ferrovias. Muita mais rápida e não necessita o pagamento de pedágios e combustível. Mas, os impostos que pagamos não fazem com que o governo invista nesse transporte que hoje é alternativo.

O Brasil tem 27.782km de malha ferroviária, mas somente um terço é produtivo e transporta minério. O restante é subutilizado. Durante o Império a quantidade de linhas era a mesma que a produtiva de hoje, mas era equivalente.

O Governo deixa de ampliar e investir nesse transporte porque ele é muito mais caro. Para se construir uma linha férrea o custo médio é de U$1,5 milhão por quilômetro. Já uma rodovia o valor cai para U$200 mil. Precisaríamos de investimentos internacionais. Além do que a obra só ficaria pronta em um próximo governo o que não anima o atual.

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O Governo Federal, em 2013, postou em seu blog oficial a necessidade de duplicar as linhas, por necessidade de escoar os produtos. Pouco foi feito.

De acordo com a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), esse aumento é mais do que necessário, é urgente. Somente 25% do que é produzido no campo chega aos portos por trem. Até 2025 as concessionárias pretendem construir apenas 10 mil km e gastar R$16 bilhões. Nos próximos 25 anos o valor estimado para custear esse transporte é de R$91 bilhões.

Além da falta de linhas, quem pretende escoar sua mercadoria utilizando os trens reclama da falta de interligação entre as mesmas. Afinal de constas, elas não ligam nada a lugar nenhum. Vão de um ponto ao outro sem haver um cruzamento com outras. Isso é uma questão histórica, afinal de contas nossos colonizadores sempre produziram próximos a nossa costa marítima, local onde a maioria foram construídas.

Existe também a forma precária de como os trens chegam aos portos de Santos e de Sepetiba. A maneira de transporte até eles é muito ruim o que atrapalha e muito a logística.

Essa falta de estrutura é explicada pelos impostos. O Governo arrecada muito mais transportando os produtos pelas rodovias do que pelas ferrovias. Enquanto isso acontecer, toda greve de caminhoneiro será o povo que sofrerá pagando mais caro por tudo.