Deve ser a seleção natural atuando para ser tão comum a notícia de crianças serem encontradas já mortas, ou quase, dentro de veículos em estacionamentos, ‘esquecidas’ pelos seus responsáveis. Pena que a morte atinja essas vítimas do descaso, e não quem comete o descaso. Mas a natureza não quer saber quem é o culpado, e sim quem é o mais fraco, ou quem está em situação vulnerável, para fazer suas vítimas.

Levando em consideração a matemática que nos diz que quanto maior o número de determinado elemento, mais ele vai aparecer nas estatísticas, é esperado que aconteçam mais casos envolvendo automóveis, uma vez que a quantidade de veículos por pessoa está cada vez maior, porém a falta de capacidade para usar um instrumento desses está extrapolando os números esperados.

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Animais, crianças de colo, e até crianças mais velhas estão sendo deixadas por "um instante” ou simplesmente esquecidas pelos condutores dentro de veículos, onde esperam a volta dos inconsequentes ou, pior, da morte.

Diante de tamanha ignorância desses condutores, certamente vai logo aparecer um deputado “querendo aparecer na mídia” e criar um projeto de lei para que os automóveis saiam de fábrica com um alarme anti-passageiro para essas ocasiões, ou um advogado metido a esperto, querendo condenar as montadoras, alegando que o fabricante tem responsabilidade sobre as mortes acontecidas no interior do veículo por não existir condição da vítima respirar direito por falta de um dispositivo que a permita ficar viva, ou de um sistema de alarme que possa ser usado nessas ocasiões, como nos elevadores.

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O desvio do foco certamente é imenso, e vai deixar de fora, novamente, o problema principal que é a irresponsabilidade de adultos que cheios de afazeres e preocupações, que pouco ligam para o que tem em mãos, ou seja, uma vida.

Seja filho ou animal, seu, de parentes ou amigos, as pessoas não estão dando importância a nada mais que não seja relativo às suas próprias vidas. É uma "ode ao próprio umbigo" sendo vivenciada de forma mais intensa a cada dia. Cada um só vê, só sente e só pensa em seu próprio umbigo, deixando de fora de seu foco de atenção e preocupação com tudo aquilo o que não lhe diz respeito. Tudo e todos podem e devem esperar pela resolução dos problemas e pela satisfação das necessidades do ‘imperador’ ou da ‘imperatriz’, pouco importando se essa demora vá trazer algum dano a quem espera.

Tamanho egoísmo pode estar vinculado ao tipo de criação que essas pessoas tiveram na infância. É fácil imaginar que tivessem pais que os mimaram em demasia, deixando a sensação de que elas são o centro do mundo e tudo deve rodar em torno delas.

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Nunca tiveram que se importar com o alheio. Continuam agindo como aprenderam. Filhos mal criados, provavelmente sem irmãos com quem dividir a atenção da família, crescidos em creches, onde a disputa pelo espaço vital deve ser exercida desde cedo, estimulando o egocentrismo exacerbado.

Não surpreenderá se, em tempos futuros, as gerações que ainda não têm acesso aos automóveis, continuarem matando involuntariamente seus filhos (e os dos outros) por esquecimento, pois estamos cada vez mais tendo filhos únicos, tratando-os com muito zelo e deixando-os em creches o dia inteiro como se esses lugares fossem um depósito que guardasse gente. Não são! É nesse local que nossos filhos crescem e aprendem a viver. #Educação eles até têm em casa, nos poucos momentos que convivem com a família. Não sabemos como estão sendo criados nossos filhos nas mãos de outrem, mas certamente, o pior é não sabermos que eles estão no banco de trás do automóvel quando saímos com eles.

#Violência