A eleição de Eduardo Cunha (PMDB) para a presidência da Câmara dos Deputados pode ser considerada mais uma vitória do crescente conservadorismo brasileiro. Com 267 votos, o deputado derrotou o preferido da presidente Dilma, Arlindo Chinaglia (PT), que obteve 136 votos, além de Júlio Delgado (PSB), que ficou em terceiro lugar com 100 votos e Chico Alencar do PSOL, com 8 votos.

Para os movimentos sociais, que vêm lutando para ampliar e aprofundar discussões em torno de temas delicados como a união estável homoafetiva e a descriminalização do aborto e da maconha, um presidente da Câmara assumidamente conservador pode significar um grave retrocesso.

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Deputado federal desde 2002, contando com o apoio do seu então padrinho político Anthony Garotinho, Cunha engrossa as fileiras da chamada "bancada evangélica", conhecida por assumir posições tradicionais e conservadoras, vistas como estando de acordo com os mandamentos da religião cristã.

Sendo assim, estamos diante de um novo presidente da Câmara que se posiciona abertamente contra a união estável homoafetiva e contra a descriminalização do aborto e da maconha. E se a discussão quanto à criminalização dos atos preconceituosos contra homossexuais já não era de fácil resolução, vale lembrar que em 2010 Eduardo Cunha apresentou um projeto de lei com a proposta de criminalização do preconceito contra os heterossexuais.

Em tempos de acirramento das posições tradicionalistas, quando acabamos de eleger a Câmara mais conservadora desde 1964, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diasp) com uma expansão considerável dos segmentos militares, religiosos e ruralistas, a eleição de Eduardo Cunha é mais um largo passo em favor do conservadorismo.

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O povo merece? Resta esperar que o presidente da Câmara não se esqueça do bordão que tornou famoso nas rádios e que utilizou como slogan de campanha: "O povo merece... respeito!". Isso deveria significar também: respeito à diversidade de gênero e respeito à vida das mulheres que recorrem diariamente ao aborto em condições precárias. Mas será que vai ser assim? #Opinião