Em contraposição ao compositor e sambista Neguinho da Beija Flor, ao ser lacônico: "Se temos o maior espetáculo do planeta, agradeça à contravenção", o que de fato contribuiu para esse contraponto em face da frase dita publicamente, o que jamais deixou de ser a mais pura verdade contida na ilha das fantasias.

Pois bem, tudo está configurado nesse sistema axiomático e no qual os meios e fins não se justificam, e sim se declaram cúmplices e escandalosamente na sociedade do hiper-espetáculo cujo "showrnalismo" tradicional, midiático e tendencioso escondeu, também, outros assuntos importantes de interesse público que poderiam ter desfilado antes para mostrar que nem tudo são beija-flores.

Publicidade
Publicidade

Com isso, não seria mais um samba na corda bamba, e sim a prova máxima das jogadas entre corruptos e corruptores. E isso faz crer que a corrupção por aqui se encontra feito metástase no DNA de um povo que está acostumado a se corromper desde um simples "furar fila", assim sucessivamente nas demais ações, bem como nos pleitos para se escolher os que o representa nessa República considerada fisiológica e não ideológica.

O que esperar de um país onde o voto é obrigatório, bem como se transformou numa moeda de troca até na construção da literatura dos enredos carnavalescos? Como obter uma esfera de resultados e avanços sem investir na base de uma pirâmide na qual está a maior parte de um povo considerado analfabeto funcional e acostumado a sobreviver de migalhas e políticas assistencialistas?

Trocando em miúdos, não dá para entender esse mesmo povo que fala mal dos políticos que foram eleitos, os quais, a maioria envolvida em escândalos de corrupção, quando se sabe que muitos compraram os votos, porque boa parcela da população encontra-se nesse mesmo balcão de negócios, como no jogo do bicho, tal como os empreiteiros para diluírem granas vultosas em troca do mercado das licitações fraudulentas em função do financiamento de campanha política.

Publicidade

E, por fim, todos caem na folia, bancada pela contravenção e um ditador da Guiné Equatorial que é amigo do "rei" ou de quem está no poder.

Não temos a mobilização desejada conforme se vê e se grita nas redes sociais para pôr fim à corrupção, entretanto, o azar dessa contramão não é saber que a contravenção sempre bancou o #Carnaval, mas, também, toda a classe política. Ainda, intrigante é não se ver um povo que seja capaz de compreender o próprio contexto ao qual se vive, e assim desejar algo surreal só através do virtual, tal como acabar com a corrupção, quando se sabe que esse mesmo povo se corrompe e faz dos seus representantes em diversos segmentos, corruptores por natureza.