Não é a primeira vez, nem no PT, nem nas crises políticas, em que a fidelidade partidária é cobrada para que projetos sejam aprovados ou barrados nos seus difíceis caminhos dentro da Câmara ou do Senado. A punição ameaçada pelo partido, entretanto, mostra a rigidez, o radicalismo e o desespero que vão tomando conta da bancada governista.

Rui Falcão, com uma postura fleugmática, quase de lorde inglês, avisa que quem votar contra os interesses determinados será sumariamente expulso das hostes do partido. Deixando um pouco de lado as ameaças feitas e as fraquezas pelas quais o partido passa diante de tantos escândalos, a situação de votação a favor ou contra os interesses acaba sendo uma oportunidade de se dar início a um desmonte histórico do perfil que se conhece do PT.

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O desgaste da legenda está tão grande que certamente há muita gente insatisfeita lá dentro e que deve estar querendo somente uma boa oportunidade para "pular fora do barco".

A porta vai se abrir

O momento é ideal, pois além de sair, o político ainda vai ganhar exposição na mídia, e oportunidade de defender uma bandeira diferente daquela vermelha estrelada que está sendo, justamente ou injustamente, bastante apedrejada ultimamente.

Como oportunistas não faltam nos corredores políticos essa é a chance deles. Os não oportunistas, porém, íntegros políticos, fieis às suas ideologias, também podem aproveitar o momento para fazerem ajustes às suas carreiras públicas.

Manda quem pode, obedece quem tem juízo

Voltando às ameaças, não é difícil perceber o tom de desespero do partido que, sem argumentos, parte para a violência pura e simples, como os caudilhos fazem em seus governos.

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Rui Falcão, presidente do PT foi claro: "o partido tem posição fechada sobre esse assunto e não vai aceitar indisciplina".

Será essa a verdadeira face do PT, sempre encoberta com sua política assistencial de grande porte, que traz como consequência um enorme curral eleitoral? O mesmo curral que era fonte de crítica da política original do partido contra os "coronéis" que dominavam a política brasileira? Eram esses "coronéis" que ameaçavam os eleitores indisciplinados.

Agora com a nódoa indelével de corrupção em suas administrações, o PT vai mal das pernas e está cheio de telhas de vidro, sem muita condição de fazer outra coisa senão tentar se defender das acusações, e ameaçar seus integrantes.

Alguns analistas políticos já falam em ocaso da fase política vitoriosa do PT que começou com a subida de Lula ao cargo máximo depois de três tentativas fracassadas.

Para o bom funcionamento da democracia, o PT tem que "largar o osso". É normal querer manter-se no poder, porém nada mais salutar que a descontinuidade no mando, para evitar, exatamente, a criação de vícios que corrompem o exercício administrativo.

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...tá chegando a hora...

A hora do PT está chegando. A hora de sair do poder e ficar como coadjuvante, ajudando a democracia com suas críticas, suas acusações, e suas votações contra os projetos que ache ruins ou prejudiciais. Voltar às origens.

Como está acontecendo agora, quando a oposição tenta levar adiante projetos que visam a melhoria da sociedade. Será que o PT é contra a melhoria de vida da população? Será que tais melhorias podem prejudicar o controle do seu curral?

Vamos aguardar para ver os próximos lances desse jogo do poder e torcer para que não nos machuquem muito as conseqüências das atitudes tomadas por nossos representantes. #Crise