A saga da reivindicação dos direitos trabalhistas dos funcionários da Universidade do Estado do Rio de Janeiro continua: após dois meses de atraso em seus respectivos salários - incluindo a tão esperada décima terceira remuneração, no final do ano de 2014, o descaso permanece, uma vez que os empregados da empresa terceirizada Construir continuam a ter que se submeter à humilhação de reinvidicar o mais justo, óbvio e correto direito.

A indignação do não recebimento de um salário mensal não é um ato indecoroso para a sociedade; não é um ato que fere a moral e os bons costumes de quem vai as ruas implorar por misericórdia em virtude da escassez dos meios de alimentação de quem tem família para sustentar; é a "reunião das regras e leis que mantém, ou regulam, a vida em sociedade", é "aquilo que é garantido ao indivíduo por razão da lei ou dos hábitos sociais", é apenas o "certo; que não possui erros e nem falhas, pois seu cálculo está direito".

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Assistir a profunda indiferença do Estado em relação àqueles que trabalham arduamente para se manter é estarrecedor. De momento a momento, as notícias se atualizam e a aversão pelo atual governo perdura aumentando. Como se não fosse completamente absurdo termos que assistir ao grito desesperado de socorro daqueles que lutam e não aceitam trilhar por outros caminhos, temos que aceitar, de boca fechada e mãos atadas, o corte de 25% das verbas das secretarias do Governo do Rio.

No final de 2014, volto a mencionar, o Reitor da UERJ, Ricardo Vieira Alves, anunciou um déficit orçamentário de 23 milhões em seus cofres. Como se não bastasse, o excelentíssimo Governador do estado, Luiz Fernando Pezão, reteu 144 milhões em verbas da #Educação, sendo elas distribuídas entre as três Faculdades Estaduais: UEZO (Centro Universitário Estadual da Zona Oeste), UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense) e a UERJ, sendo 91 milhões retidos somente dela (a UERJ).

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Apesar dos cortes exorbitantes, o Reitor Vieira Alves preferiu o silêncio em relação aos projetos educacionais que irão ser adiados.

Para todos que acordam todos os dias na maioria das vezes no período da madrugada para trabalhar, é com impreterível estranheza que tantos cortes sejam irremediavelmente postos em prática. Para todos vocês - para todos nós -, deixo o seguinte questionamento: Para onde vai o fruto dos nossos esforços diários? Será que a nossa população se empenha pouco em produzir? A falta de humanidade dos líderes governamentais não atinge somente os seus funcionários, atinge a todos, é um ciclo sem fim.

A população em Junho de 2013 não se calou em razão dos R$ 0,20 centavos das passagens dos transportes públicos, mas hoje se silencia fingindo desconhecer a importância de valores descomedidos que são abstidos de nós. Até quando nos calaremos e deixaremos que nos atem as mãos? Até quando conheceremos histórias de lutadores como Igor Mendes, estudante de Geografia da UERJ que atualmente encontra-se preso pela ousadia de falar, e ainda acreditaremos que vivemos em um estado democrático de direito? Precisamos definitivamente abrir os olhos e nos mobilizar.

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Enquanto insanidades como as aqui mencionadas acontecem, muitos disparam absurdas palavras e idealizam o maior dos carnavais. A água falta, a educação falta, saúde e segurança também. O Brasil começará a ser "um país de todos" quando nós, brasileiros, deixarmos de ter que reinvidicar os princípios básicos de sobrevivência. Sonho com esse dia. Sonho com uma nação rica, legítima e livre de impunidade. Eu sonho com o meu Brasil.