Em época de "revenge porn" e de apologia ao estupro, como foi visto escancaradamente na participação de Alexandre Frota no programa "Agora é Tarde", as mulheres estão erguendo cada vez mais a sua voz para falar de assuntos polêmicos e necessários.

O feminismo é a luta pela igualdade de gêneros, e não pela supremacia feminina em detrimento do sexo masculino, como muita gente costuma pensar, está em alta no momento. O mundo parece estar acordando aos poucos para questões que sempre incomodaram, mas que até agora ficaram por baixo dos panos durante séculos de história e opressão.

No último domingo (8), a Diretora Executiva da ONU Mulheres (Phumzile Mlambo-Ngcuka) declarou que não há um único país no mundo em que haja igualdade de gêneros.

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Uma menina que nasça hoje teria de esperar 50 anos para ter a mesma chance que um homem de concorrer para ser dirigente de um governo, 70 anos para que haja o equilíbrio de salários e 81 anos para ter as mesmas oportunidades que um homem para ser CEO de uma empresa.

Phumzile ainda acrescentou que as diferenças gritantes entre os gêneros e a violência contra a mulher, que aumenta um pouco mais todos os dias, é um "fenômeno global" resultante da dominação masculina no mundo. "O corpo da mulher é visto não como algo a ser respeitado, mas como algo sobre o qual os homens têm o direito de controlar e abusar", falou à Associated Press.Prova disso é a cultura presente de que a vida sexual ou as roupas de uma menina são imagens de seu caráter e um passe aberto para ser abusada ou desrespeitada.

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Mas as mulheres estão cansadas de serem subjugadas e postas em uma posição inferior simplesmente por serem mulheres. E a desigualdade não está presente apenas nas classes sociais mais baixas, como se pode perceber pelo discurso de Patricia Arquette na premiação do Oscar, que reivindicava a igualdade salarial entre os atores e atrizes de Hollywood, e também pelos discursos de Emma Watson, embaixadora da campanha da ONU "HeForShe", que não só luta contra a disparidade entre os gêneros, como também chama os homens para apoiarem a causa.

O mundo da moda também não tem ficado para trás: em seu último desfile, a Chanel levantou a questão feminista com placas e chamamentos segurados pelas modelos. Estratégia de marketing ou não, chamou atenção para uma causa que tem tomado uma força cada vez maior.

Recentemente a Birkenstock, famosa grife de sandálias, foi denunciada por uma ex-funcionária e tem sido processada por pagar salários menores para as trabalhadoras de sua fábrica em uma discriminação consciente e deliberada.

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Infelizmente, casos como este são cada vez mais frequentes e uma breve busca pela internet pode comprovar isso.

O machismo é um problema que começa desde cedo, com meninos e meninas que crescem ouvindo o que devem ou não ser ou fazer. Com o discurso de que mulher deve casar e ter filhos, vestir-se adequadamente e encaixar-se em um padrão pré-estabelecido pela sociedade. Com homens que são ensinados a ter sua liberdade sexual e a se achar no direito de possuir uma mulher.

Já passou da hora de o feminismo deixar de ser tabu. Mesmo a igualdade de gêneros sendo um assunto longe de se tornar realidade, a luta não deve parar. Uma luta que deve ser de homens e mulheres. É como a metáfora feita pela jornalista Gloria Steihem em um discurso pela "HeForShe": "A raça humana é como um pássaro que precisa das duas asas para voar; no momento, uma das asas está presa e nós nunca vamos ser capazes de voar tão alto a não ser que apoiemos uns aos outros." As mulheres não querem apenas flores: elas querem força, respeito e igualdade, que em pleno século 21 já deviam ser realidade. #Opinião