A Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP) defende o fretamento de veículos como solução para os problemas de mobilidade urbana nas capitais. A entidade paulista passou a incluir dados do setor em um banco de dados agregado ao Sistema de Informações da Mobilidade (SIM) com o objetivo de divulgar as vantagens do sistema em que grupos de pessoas fretam veículos de modo regular para ir ao trabalho ou mesmo a passeio.

O consultor da ANTP, Eduardo Vasconcelos, destacou que o poder público responsabiliza o transporte coletivo pelos constantes congestionamentos nas grandes cidades. Para ele, veículos fretados podem ajudar:

"Em sistemas muito congestionados como o de São Paulo, a organização de uma oferta planejada de serviços especiais de ônibus e de serviços de fretamento pode dar uma contribuição muito importante para reduzir o grau de congestionamento e os impactos negativos a ele associados", disse.

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Tendência de crescimento

Vista como alternativa para a mobilidade nas grandes capitais brasileiras, o transporte público por fretamento tende a crescer. Dados ANTP indicam que, em 2012, foram realizadas um milhão e mil viagens diárias desta modalidade. O número corresponde a 500 mil passageiros por dia.

Entre as capitais pesquisadas, São Paulo lidera em números absolutos de viagens fretadas - 490 mil por dia. Em relação ao total diário, o fretamento na capital paulista representa 2,3% do total de viagens de ônibus na cidade.

O Rio de Janeiro tem o menor índice de utilização do transporte fretado. Em 2012 foram realizadas 55 mil viagens diárias - 0,5% do total de viagens executadas por ônibus urbano. Já os dados de Campinas referentes a 2011 indicam que 19,3% das viagens antes feitas por coletivos são executadas por transportes fretados.

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No ano seguinte, taxistas campinenses protestaram contra a regulamentação do fretamento no município sob a alegação de concorrência desleal.

Tanto em Campinas como na Baixada Santista, a criação de núcleos residenciais distantes dos centros comerciais provoca a necessidade de transporte. Os operadores do fretamento aproveitam a demanda.

O transporte por fretamento possibilita variações de utilização. Em São Paulo, o Banco Santander mantém um programa de transporte para os funcionários. São 21 vans gratuitas percorrendo trajetos entre a torre da sede e estação do Metrô, além de ligar outras casas da empresa. O Santander também adotou a flexibilização de horário como forma de reduzir os efeitos dos congestionamentos.

Outro projeto na capital paulista é o do Banco Mundial. A empresa tem instalações na Avenida Luiz Carlos Berrini, na zona sul da cidade. Uma pesquisa revelou que 80% dos funcionários das empresas da região preferem o transporte por fretamento para chegar ao trabalho.