A entrevista domingo à noite, 15, do Ministro da Justiça José Eduardo Martins Cardozo e do Secretário Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto - que decidiram fazer um balanço dos fatos horas após as manifestações públicas em todo o país contra a gestão da presidente #Dilma Rousseff -, demonstrou que o #Governo petista permanece dissociado da realidade, qual patético enfermo cujos sintomas esquizofrênicos se agravaram a tal ponto que o impedem de enxergar um elefante azul a um palmo do nariz.

Como autistas em meio ao cenário politico social, os ministros esboçaram opiniões divergentes dos fatos, semelhantes as daqueles conselheiros do rei do conto de Andersen, A Roupa Nova do Imperador, que percebem que o rei está nu mas não informam a constatação à Sua Majestade temendo serem tomados por idiotas, já que apenas os mais inteligentes enxergariam um suposto tecido invisível com que a roupa do rei teria sido elaborada.

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Minimizando o descontentamento

O Ministro Cardozo só conseguiu enxergar na manifestação um protesto exclusiva contra a corrupção, sem se dar conta de que a população se insurge não apenas contra a roubalheira desenfreada, mas contra as medidas econômicas restritivas, contra o desemprego, a insegurança, o caos na saúde pública, a inflação, os aumentos de impostos e de combustíveis, as promessas não cumpridas e as mentiras do governo, enfim, contra a desastrosa gestão do PT.

Com visão mais esquizoide, o Secretário Rossetto só vislumbrou nos protestos a presença de eleitores que não votaram em Dilma e que já estariam, por conta disso, insatisfeitos com o partido. Não conseguiu observar com clareza a onda de indignação coletiva que atingiu o país, independente de partidos políticos.

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Pior: Rossetto menosprezou a onda de protestos enquanto supervalorizou as minúsculas manifestações "chapa branca" do dia 13, convocadas pelo próprio governo, pelo MST e pelas centrais sindicais para simular apoio público a Dilma.

PT só viu protestos da oposição

Depois de uma retórica digna de aparvalhados incapazes de alguma percepção da realidade, os ministros ignoraram o descontentamento popular e anunciaram o óbvio - e que a Presidente já vem anunciando há quase um ano, sem que nada de concreto tenha se materializado: que apresentarão nos próximos dias medidas eficazes de combate à corrupção.

O fecho de ouro para um discurso de quem manifesta perplexidade diante dos fatos ficou por conta do ensaio de Cardozo acerca de nova forma de financiamento de campanhas eleitorais, a pretexto de combate a corrupção.

Embora não tenha explicitado a ideia, o Ministro da Justiça condenou a forma atual de financiamento partidário com recursos privados provenientes de doações de empresários, sugerindo que os protestos da população contra a corrupção exige a implantação de um sistema de financiamento partidário alternativo.

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O que sobra, lógico, é o financiamento público de campanhas, coisa com que aliás o PT tem sonhado.

O governo propôs uma reforma política como solução, em que provavelmente o tal financiamento público de campanhas eleitorais surgirá como panaceia para estancar a roubalheira que se institucionalizou no país.

Como se o problema estivesse somente nas leis e nas normas e não nas pessoas que delas se servem.