O jornal Estadão divulgou uma pesquisa com dados sobre a incidência de processos sobre erros médicos que chegaram ao conhecimento do STJ (Supremo Tribunal Federal). Em um intervalo de apenas quatro anos, o número de processos aumentou aproximadamente 140%. Para evidenciar esse crescimento em números reais, em 2010 o Supremo recebeu 260 pedidos de recurso extraordinário com base na alegação de erro médico. Em 2014, o número foi elevado para 626 processos para o julgamento do STJ.

Vale ressaltar que esses casos são apenas os que chegaram ao mais alto nível hierárquico do judiciário nacional, ou seja, antes o caso passou pelo conhecimento de um juiz de 1° instância, houve a apelação para o tribunal superior e mais um recurso para chegar ao STJ.

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Logo, o número de casos de erros médicos que pararam nos primeiros julgamentos é ainda maior.

Ainda segundo a pesquisa, no mesmo período de análise de aumento de processos, apenas 18 médicos perderam seus registros. Além disso, 625 profissionais foram punidos pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) com medidas mais brandas, por terem agido com negligência, imperícia e imprudência.

Por que aumentaram os erros médicos?

Todo o profissional, independente da área, está sujeito a cometer erros. Entretanto, no caso dos médicos, as consequências desses equívocos podem ser muito graves e até mesmo fatais. Por isso, é necessário que os especialistas tenham sempre o máximo de cuidado com seus pacientes para evitar qualquer tipo de engano. Contudo, existem algumas situações que explicam o crescente aumento dos erros médicos.

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Má formação dos universitários do curso de medicina

Atualmente, muitas faculdades particulares abrem o curso de medicina sem disponibilizar um ensino de qualidade. Elas simplesmente conseguem a autorização do MEC (Ministério da Educação e Cultura) e começam a formar profissionais dando diplomas de médicos. Além disso, diferente do curso de Direito, em que existe uma prova obrigatória feita pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para verificar se o acadêmico realmente está apto a exercer a função, o graduado em medicina não faz nenhuma prova para testar seu conhecimento. 

Falta de profissionalismo

Outro fator preponderante para o aumento dos erros médicos está relacionado à infraestrutura dos hospitais e a ética dos profissionais da saúde. Com relação aos problemas estruturais, é imprescindível que os médicos tenham acesso aos equipamentos necessários para o pleno exercício da medicina. O improviso pode resultar em erro e dano para o paciente.

Além disso, os médicos devem ter ética e bom senso. Por mais que os planos de saúde solicitem um atendimento rápido, várias cirurgias diárias e o mínimo de exames possíveis, os médicos devem sempre zelar pela saúde completa do paciente, independente do tempo que demore ou do que seja necessário para diagnosticar uma doença com exatidão. Afinal, eles fizeram o juramento de Hipócrates ao concluírem o curso de medicina. #Opinião #Justiça