Na semana passada iniciou a nova novela da Rede Globo Babilônia e já no primeiro episódio mostrou o afeto, o carinho, o amor de duas senhoras, o que foi representado por alguns beijos. A cena foi suficiente para se perceber o quanto o Brasil vive de falso moralismo.

Congressistas evangélicos não perderam tempo e decidiram partir ao ataque, inicialmente contra a novela, conclamando "o seu povo" a boicotá-la. Não demorou muito para atacarem também os patrocinadores do pasquim. Tudo isso com apenas um intuito: a novela esta deformando a família brasileira.

Antes de continuar deve-se retornar ao capítulo da novela que não teve apenas a demonstração de amor mencionada, mas também o assassinato de um motorista pela própria amante. O que a respeitável bancada evangélica mencionou sobre esses fatos? Nada.

Todos têm direito a crença, da mesma forma que o estado é laico (não está sujeito a um credo ou uma religião), entretanto, é inconcebível, inaceitável e inacreditável que parlamentares utilizam de sua função para pregar o ódio, bem como colocar o medo na sociedade por causa de um beijo entre duas mulheres.

Questiona-se: Por que esses políticos não utilizam do mesmo expediente para "boicotar" as grandes empresas que utilizam da corrupção como enriquecimento? Por que os parlamentares não se preocupam de igual forma com a violência gerada pelos mesmos meios de comunicação?

Seria cômico se não fosse trágico, isso porque não há respostas. A religião não pode ser utilizada pela metade: ou amar o próximo como a ti mesmo é um mandamento ou não é. O problema entre o beijo entre duas mulheres causa tanta agitação entre os falsos moralistas porque a crença é utilizada de maneira torta, com meias verdades e isso que deve ser boicotado.

Não há crime entre o amor de duas pessoas. A afirmação por si só é uma verdade, sem a necessidade de complemento, pois todos os seres humanos são pessoas, logo independe se é homem ou mulher. Seja na lei dos homens ou não. O que denigre a estrutura familiar brasileira não é o beijo entre duas mulheres ou dois homens ou um homem e uma mulher, e sim o filho que não tem aula por falta de professor, o pai que procura emprego e não acha, a dona de casa que deixa de comprar comida por causa do preço, a avó que aguarda horas para ser atendido no posto de saude.

Esses são os pontos que os parlamentares que defendem o boicote a novela deveriam se preocupar. Aliás eles foram eleitos para esta função, mas parece que desconhecem.  #Famosos #Televisão #Novelas