Não devem ser poucos os cubanos, de ambos os lados (direita e esquerda), que devem estar se revirando em seus túmulos. O presidente cubano em exercício (irmão de um antigo comedor de criancinhas, como eram considerados comunistas e socialistas que queriam tomar conta de todas as propriedades privadas, apenas transferindo os títulos de propriedade), surpreende a sociedade do espetáculo, devidamente deplorada por Guy Debord.

A surpresa aconteceu durante a sétima reunião da Cúpula das Américas, quando ele extrapolou em muito o tempo que cada signatário poderia utilizar com a complacência que a sociedade tem com aqueles que destroem e matam os seus semelhantes, estendendo tapetes vermelhos para que eles entrem em recintos onde muitos parentes devem estar o esperando com aplausos.

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Paradoxos a parte, as pessoas consideram que ele agiu assim para compensar o seu silêncio nas cúpulas anteriormente desenvolvidas.

Sua participação não era para ser comemorada, mas o foi e desde quando pronunciou palavras que jamais se esperava um Castro de boa estirpe o fizesse, parece ter se tornado a vedete da festa.

O elogio feito ao presidente americano, Barack Obama, agora considerado em Cuba um homem honesto e que até poderia andar sem escolta pelas ruas da ilha famosa (ainda um pouco cedo para tanto) surpreendeu devido ao fato que todas as referências anteriores ao presidente americano eram insultos.

O que mereceu tal fato? A suspensão das sanções que durante os últimos cinquenta anos foram aplicados pelos vilões americanos desenvolvidas para isolar o governo comunista cubano.

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O ano que passou terminou em festa para o governo cubano, e parece fazer com que sejam esquecidas todas as medidas cerceamento à liberdade individual e efetivação dos direitos humanos, que foram praticadas durante todo este tempo. Foi assim que um dos Castros conseguiu assento na sétima cúpula das Américas.

A presidente do Brasil, ainda em exercício, não poderia deixar de se manifestar e o fez, mas sua voz parece estar perdida no meio da rouquidão que caracteriza as vozes dos coniventes com a corrupção.

A crise entre os Estados Unidos e a Venezuela colocou um pouco de desdouro na festa dos Hermanos, que colocou sanções a sete partidários do governo de Nicolas Maduro, por fazer em seu país, o mesmo que o irmão cubano, faz com seu povo, de modo ainda mais profundo e descarado. Considerar que estes seis valentes funcionários públicos podem colocar em ameaça a segurança da segunda maior economia do planeta (da primeira economia ninguém sabe, ninguém viu, mas todos suspeitam que existe e não tem nacionalidade) parece ser uma daquelas piadas, velhas e sem graça ouvidas nos circos contadas por palhaços, que não mais recebem as homenagens que merecem e acabam sendo substituídos por políticos, que não merecem receber homenagens.

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O presidente do Equador aumentou um pouco o desconforto americano, citando ações passadas. O presidente Obama, que com pedidos de desculpa tentou consertar erros antigos, somente conseguiu obter como resposta sorrisos cúmplices entre os participantes.

Apenas virar a página pode não ser suficiente para apagar tudo o que foi dito e aconteceu entre os dois países, mas em nome da paz mundial pode-se pelo menos desejar que de relações normalizadas com o líder do ocidente, Cuba possa reencontrar o caminho da democracia. #Opinião