No jogo Internacional x Ypiranga, no estádio Beira-Rio em Porto Alegre, um episódio inusitado: vaiado pela torcida do Inter, o jogador Fabrício, aos 14 minutos do 2º tempo, investiu contra sua própria torcida com gestos ofensivos, sendo expulso e retirando sua camisa para jogá-la ao chão. Além de deixar seu time com um homem a menos, desrespeitou uma das camisas mais tradicionais do #Futebol, querida por mais de seis milhões de torcedores do Inter, Campeão Mundial FIFA de 2006, que completa neste 4 de abril 106 anos de fundação. Este gesto de desrespeito jamais havia ocorrido na história do clube. O presidente do clube, Vitório Piffero, suspendeu o jogador imediatamente e é possível que venha a rescindir seu contrato.

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Ao que se sabe, a par de um comportamento destemperado que tem lhe rendido várias expulsões, o atleta enfrenta problemas familiares, que o tem perturbado. Para piorar a situação, seu desempenho técnico é tido pela torcida como abaixo do exigido e em alguns dos últimos gols sofridos pelo Inter, Fabrício tem participado negativamente.

Não há como deixar de fazer paralelo com outro recente episódio, muitíssimo mais grave, do avião que caiu nos Alpes. Todo aquele que age violentamente, que explode, na verdade, antes de agredir, está emocionalmente pedindo socorro. O copiloto, ao se jogar contra o solo, embora num ato irreversível, ainda estava em busca de atenção. De um mundo feliz, que o compreendesse, que o acarinhasse, que ouvisse seu choro, pedisse perdão por tê-lo magoado.

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O suicida projeta sempre o depois, espera comovidamente que seu ato, mesmo com tudo terminado, volte para si os olhares, as atenções e a compreensão de que tanto necessitava. O suicida sempre acredita que o impacto do seu ato será capaz de fazer os outros entenderem as razões de seus problemas e que todos irão lamentar e sentir remorsos por ter perdido alguém que amam, por não terem sido capazes de cuidá-lo e protegê-lo dos espinhos do mundo.

Por que um piloto arremessa um avião cheio de inocentes contra o solo? Por que um jogador arremessa simbolicamente toda uma torcida de um grande time de futebol contra o solo? - Tal como fez o piloto, o jogador, futebolisticamente, "se suicidou". Para sempre será lembrado pelo episódio como um desequilibrado, como alguém não confiável.

Ambos davam sinais claros por sua vida pregressa de que necessitavam cuidados, que não podiam estar em atividade. Por certo, o ato de cada um já tinha passado pela cabeça deles antes de ser perpetrado. Foram coisas reprimidas, que estavam remoendo, enraivecendo, dia após dia, rumo a um ponto sem volta, de explosão autodestrutiva de toda a raiva acumulada. É lamentável que em muitos casos, soluções factíveis surjam somente "depois do leite derramado". E fica a pergunta: foram o piloto e o jogador os verdadeiros culpados?