A homossexualidade sempre foi um assunto que gerou polêmica entre os cristãos, mas nem por isso deixa de ser debatido pela comunidade evangélica. Embora, a Bíblia pregue que Deus ama a todos e que seus seguidores devem agir e viver de acordo com seus ensinamentos e demonstrar amor ao próximo, lideranças religiosas como o pastor Silas Malafaia da Igreja Assembléia de Deus Vitória em Cristo, são categóricos quando o assunto é o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. Com o discurso de que a união homoafetiva é pecado e que ninguém nasce gay - opinião rebatida com embasamento científico pelo biólogo Eli Vieira, doutor em genética pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido - o pastor chegou a dizer em entrevista a Marília Gabriela, em 2013, que dois homens não seriam capazes de criar uma criança, repudiando a liberação de adoção a casais gays.


Mas o que será que ele diria para a cantora gospel, Vicky Beeching, que assumiu sua homossexualidade ao jornal norte-americano The Independent na semana passada? Aos 35 anos, Vicky confessou que nunca havia tido um relacionamento homossexual por viver em conflito com sua #Religião e sua sexualidade, mas que, hoje, sabe que Deus continua a amando da mesma forma. Mesmo sendo criada por uma família evangélica e conservadora, e ter crescido ouvindo e lendo em todos os lugares que a relação entre pessoas do mesmo sexo era 'coisa do demônio', ela não conseguiu evitar a atração que sentia por meninas desde os 12 anos. "Era uma sensação horrível, sentia vergonha por estar gostando de garotas e não contava a ninguém por saber que seria repreendida", revela.


Ela é uma das artistas mais famosas no cenário musical gospel e um ícone dentro da Igreja Anglicana, seu disco Cinturão da Bíblia chegou à marca de 1 milhão de vendas nos Estados Unidos. Compondo desde os 11 anos, ela conseguiu conquistar milhares de fãs, mas sabe que essa revelação pode criar uma barreira entre ela e seus seguidores.


A pressão e os conflitos internos eram tão grandes que aos 13 anos, ela orou pedindo para Deus tirar sua vida porque achava que estava com uma doença sem cura e 3 anos depois, se submeteu a uma sessão de exorcismo em vão. As pessoas oravam e ordenavam que os demônios da homossexualidade saíssem do corpo de Vicky. A luta e a busca por uma suposta cura era tão intensa que ela optou por se dedicar ao estudos em Teologia e a se relacionar com homens para tentar entender o que estava acontecendo na sua vida. Tudo sem sucesso. A cantora só assumiu sua sexualidade após descobrir que tinha uma doença grave na pele e que poderia morrer sem ter vivido sua vida da maneira que pudesse alcançar a felicidade completa.


Na comemoração de Páscoa ela conseguiu conversar com os pais sobre o assunto e eles pediram desculpas por submetê-la há tantos anos por constrangimentos. A jovem espera que a Igreja também aceite a sua homossexualidade assim como fizeram seus pais e ela mesma.


O que você pensa sobre a homossexualidade e religião? Na sua opinião, é possível viver de acordo com as leis de Deus e ter uma relação homoafetiva?
#Música