Muitas cidades texanas têm adotado um sistema de governo bastante peculiar. Apesar do Texas já ser conhecido por sua pequena taxa de tributação e por limites à interferência do governo estadual na vida dos cidadãos, pequenas cidades do Estado têm lutado politicamente para alcançar maiores graus de autodeterminação, em um movimento que ficou conhecido como 'cidades da liberdade'.

Uma delas é Kingsbury, que vai às urnas em 9 de maio para aprovar ou não o status de cidade para o pequeno vilarejo, que conta com 166 eleitores. A ideia é que, aprovada a mudança para uma cidade, através de uma lei recentemente criada no Estado, o município possa ser regido pelo princípio da 'baixa regulação estatal'.

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Para isso ser possível, é necessário que a população concorde com uma série de determinações estabelecidas na lei, como o direito a portar armas, liberdade religiosa e de expressão e uma proteção contra a regulação excessiva por parte do Estado. Além disso, a lei prevê que qualquer alteração na carga tributária sobre propriedades deve ser aprovada por um mínimo de 60% da população.

De acordo com Jess Fields, analista político, a ideia das 'cidades da liberdade' parte do pressuposto de que toda comunidade deve ter o direito de escolher a forma de governo a que estará submetida. Ele acredita que as grandes cidades do Texas passaram a adotar medidas de regulação sociais, ferindo as liberdades dos cidadãos, e, dessa forma, afastando-se do intuito principal dos governos. A ideia é que o governo não seja determinante no modo como cada indivíduo decide seguir a própria vida, concedendo, assim, maior liberdade de escolha para cada membro da sociedade.

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Um dos exemplos de uma bem-sucedida 'cidade da liberdade' é a Von Ormy, exemplo mais consolidado do modelo. Em 2008, quando foi fundada, havia uma pequena taxa de imposto sobre imóveis, que acabou sendo abolida mais tarde. Hoje, o governo, bastante limitado, sobrevive por meio dos impostos sobre vendas. O serviço de coleta de lixo, assim como muitos outros, foi terceirizado e instituições de auxílio à população, como a polícia e o corpo de bombeiros, são compostas por voluntários.

Na cidade, não há restrição para o porte de armas, para o fumo, nem para o uso de fogos de artifícios. Apesar de existirem algumas regras de segurança para a construção civil, a fiscalização é mínima.

Não há como avaliar a durabilidade e eficiência do modelo de gestão, já que sua aplicação é ainda recente. Além disso, não é possível afirmar que o modelo é passível de ser transportado para cidades maiores. Porém, as 'cidades da liberdade' podem ensinar lições valiosas a outras formas de governo, como a de maior liberdade individual.