"Quem não quer levar pedrada, não seja vidraça". Esse conselho popular nunca foi tão atual quanto agora, na era da #Internet. Que o digam as celebridades que, num momento de descuido, colocam as suas opiniões pessoais nas redes sociais sem muita reflexão. O caso mais recente é o do músico/cantor Ed Motta, que, em 9 de abril último, depois de divulgar sua lista de shows que fará na Europa, pediu para que o público não peça para tocar "Manuel" - seu primeiro sucesso.

Ele criticou a forma como as pessoas se comportam em shows ("público de sertanejo, axé, pagode, que vem beber cerveja barata com camiseta apertada tipo jogador de futebol, com aquele relógio branco, e começa gritar nome de time") e lembrou também que em seus shows internacionais ele só fala em inglês.

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Isso bastou para despertar a ira do público - e de grande parte da mídia - que não admitiu as críticas e criou uma avalanche de respostas de todos os tipos na fanpage do artista. No dia seguinte ao fato, Ed Motta se desculpou publicamente pelas declarações, alegando estar tomando medicamentos para depressão. #Famosos #Música

Algumas conclusões sobre o caso

1) Em se tratando de uma série de shows internacionais, qual o problema de o artista falar só em inglês, se o repertório do show é feito exclusivamente para o público internacional?



2) Até que ponto os artistas têm liberdade de expor as suas próprias opiniões? As pessoas que publicamente o apedrejam não são as mesmas que são contra a censura e exigem a liberdade de expressão para todos?



3) Por quê será que as pessoas se sentem tão ofendidas pessoalmente quando uma celebridade, seja nacional ou internacional, emite uma opinião sobre as atitudes do brasileiro?



4) Não seria um bom momento de as pessoas usarem as críticas do artista para se fazerem uma autoanálise de seus comportamentos em público?



5) Quem nunca presenciou alguma situação embaraçosa envolvendo um brasileiro em viagens ao exterior? Não é de hoje que o comportamento social dos brasileiros é visto com resguardo perante algumas autoridades internacionais.



Definitivamente, parece que essa era digital está se transformando na "era do mi-mi-mi". Em outras palavras, parece que, quanto mais a tecnologia avança em direção às "conexões sociais", mais as pessoas sentem que suas atitudes são intocáveis. Impossível não lembrar do atentado que matou os chargistas do Charlie Hebdo.



Ser espontâneo é muito importante, porém, é preciso também respeitar os ambientes sociais.