O estudo foi desenvolvido por Wei Jen Chang, colaborador da Universidade da Califórnia em San Diego, centrado em pacientes que apresentavam COPD - Chronic Obstructive Pulmonary Disease, cujos resultados podem ser ampliados para todos os demais problemas de saúde crônicos. Durante o estudo, é analisada recomendação de diminuição das taxas de readmissão de pacientes que podem ser considerados como sãos, incluindo valores de multa no reembolso dos planos de saúde, para hospitais que apresentam elevadas taxas de readmissão de pacientes. A recomendação parte do Ministério da Saúde e a Assistência social.

Pacotes de medicamentos acompanham os pacientes que recebem alta depois de algum tratamento.

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Esta iniciativa representa um primeiro investimento de hospitais americanos para evitar a readmissão, que ocupa leitos hospitalares e impede que outras pessoas com problemas que podem ser mais graves, sejam atendidas.

Ao tomar a decisão de multar hospitais com grande taxa de readmissão, o governo considera que pacientes doentes voltam ao hospital demasiado cedo. Assim, há algum tempo, os hospitais recebem uma cutucada financeira que lhes impõem penalidade nos reembolsos de assistência médica dos hospitais se o número de pacientes que voltaram ao hospital dentro de 30 dias excedeu a média nacional.

Tudo gira, segundo o pesquisador, nos interesses dos hospitais e dos planos de saúde, sem que leve em  consideração o que é melhor para os clientes, os principais interessados. Chang sugeriu e conseguiu a adesão de seu hospital à criação de contratar coordenadores para seguir os pacientes com COPD e os ajudar a desenvolver cuidados em suas residências.

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Segundo seu relato, o resultado obtido não foi o esperado.

A discussão abandona o campo financeiro e parte para o campo social. Aí as discussões esbarram na ineficiência política. Qualquer semelhança com o que acontece no Brasil não é mera coincidência. Somada a incompetência de muitos auxiliares hospitalares, que trabalham debaixo de salários insuficientes, do sucateamento de alguns hospitais, há alguns anos sem investimento, será que reduzir taxas de readmissão seria um bom caminho para recuperação de hospitais com graves problemas financeiros?

Chang considera que a preocupação não deve estar centrada nos gastos dos hospitais, mas sim na satisfação e atendimento de pacientes, com orientações para que eles fiquem sãos e não busquem na readmissão, superar seu medo e falta de orientação. De modo geral, os tratamentos desenvolvidos em casa, junto a familiares, no meio ambiente no qual o paciente vive, são mais eficientes, mas que de nada adiantam se o paciente realmente estiver em reincidência e seja recusado em nome da economia hospitalar. É mais um dos estranhos balanceamentos entre o social e o capital, com uma perda que sempre afeta o lado mais fraco, local onde a corda sempre arrebenta.