As pessoas perdem um precioso tempo a se perguntar o que levou aquela pessoa a cometer tão desatinado ato. Isto perde a importância frente à necessidade de mudanças urgentes sugeridas por uma situação surreal. Como ainda não é possível instalar em veículos nos quais as vidas de muitas pessoas estão sob responsabilidade de um terceiro, detectores de emoções, outras medidas devem ser tomadas.

Fatalistas que consideram que aquilo estava escrito deveriam estar nos assentos da primeira fila. Quem quer saber se ele havia brigado com a namorada, tida como de um relacionamento estável? Quem quer saber se ele estava ligado a algum culto fanático? A qual facção terrorista ele pertencia? A curiosidade mórbida poderá fazer com que as consequências de tais atos venham a ser esquecidas em sua fonte ao passar o impacto dos primeiros dias.

Publicidade
Publicidade

Uma medida paliativa aqui, outra medida paliativa ali não irão resolver. A pergunta que deveria ecoar, não para satisfazer alguma curiosidade, mas sim para tentar esclarecer e deixar claro o erro cometido é tentar descobrir o porquê de tanta negligência com tantas vidas humanas.

O que importa é destacar esta negligência e desmascarar o choro sentido, com que dirigentes da companhia aérea alemã trataram o assunto. Colocar a tranca depois da fechadura arrombada é, neste caso, a única solução possível. Isto não deve deixar o passado de lado e nem tirar, na próxima aterrisagem fotografias de uma dupla de saudáveis pilotos, com seus polegares erguidos, como se fossem uma borracha a passar sobre um texto onde mal traçadas linhas levaram a vida de 150 pessoas e deixaram tantas outras a olhar para aviões nos céus e lamentar perdas irreparáveis.

Publicidade

Destacar qualidades e feitos da companhia área responsável não irá trazer de volta aqueles que se foram e apenas irá fazer com que sua responsabilidade fique esquecida e paga com alguns milhares de euros, como se o valor da vida humana pudesse ser avaliado por esta unidade de medida.

Revelar pena por sua situação doentia é morbidez e revela uma tentativa de esconder o sol com a peneira. A Germanwings tenta se esquivar de responsabilidades claramente estabelecidas, sob uma chuva de reportagens que desviam a atenção das pessoas para a principal questão que deveria ser tratada. Contar histórias de desgraças de voos passados, apenas traz lembrança e a dor para muitas pessoas. Entregar a pilotos que dependem financeiramente ou de alguma forma doentia de dependência, a responsabilidade por informar à companhia suas deficiências, mais parece brincadeira de mau gosto que pode ter as consequências que tal irresponsabilidade trouxe. Se a força das redes sociais é reconhecida, elas que coloquem em destaque não os depoimentos de amiguinhos de infância, mas sim a responsabilidade da companhia e medidas dos órgãos reguladores para que o controle da sanidade mental de tais pessoas seja algo tratado com seriedade.

Publicidade

Flores e monumentos não irão resolver tamanho problema. Quanto mais a companhia aérea insistir em afirmar que o piloto estava em plenas condições de voo, frente a tantas evidências contrárias apenas revela o nível de irresponsabilidade que houve no caso. #Terrorismo