Durante todo o ano que passou e no início deste novo ano, os políticos discutiram de baixo dos holofotes a questão do controle de utilização da energia nuclear pelo Irã. Ela é tida como necessária para manter o equilíbrio em uma reunião de alta estabilidade. Esta semana, parece que os políticos ganharam um round na luta para evitar que o Irã pudesse fabricar a sua bomba atômica.

Os aplausos foram muitos, os elogios rasgados. Escondidas, algumas pessoas ensaiaram críticas, que certamente cairiam em ouvidos moucos, pelo menos no contexto desta "vitória". Quem realmente irá ganhar será a população iraniana, afetada pelo boicote montado pelas potências ocidentais em seu redor.

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Os negociadores na mesa de Lausanne levantaram orgulhosos de suas cadeiras. Entre sorrisos e abraços, a notícia foi dada para todo o mundo. Em Israel, a coisa não foi bem assim. Foi possível captar no Twitter toda a indignação da nação israelita, onde se lia em muitas mensagens: "um acordo com base neste quadro, ameaça a sobrevivência de Israel".

O presidente da câmara John Boehner retornou recentemente de Jerusalém e foi um dos primeiros a contestar os termos do acordo, com relação à suspensão total das sanções colocadas contra a nação iraniana. Muitos não acreditam que, ainda que favorável, os iranianos venham a cumprir com o acordo. Assim, de adiamento em adiamento, nos porões da ditadura, quem sabe os materiais necessários estejam sendo guardados.

O que foi considerado por alguns políticos americanos como um "entendimento histórico" corre o risco de ser mais uma intenção natimorta dos terroristas do oriente médio.

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As outras grandes potências estão mais para São Tomé e ficam em cima do muro, considerando apenas o atual acordo como uma base sobre a qual é possível continuar a construir um quadro de paz na região, após 12 anos de batalhas.

As festas em Teerã não impediram que bandeiras americanas continuassem a ser queimadas nas ruas e que o povo clamasse contra o imperialismo americano, tudo devidamente oculto das câmaras, ansiosas por mostrar os sorrisos falsos de muitos políticos.

Os terços são retirados dos altares, onde foram colocados para captar energia santa para potencializar a força das orações que muitas famílias, assoladas pela miséria e pela fome, começam a fazer de forma aflita. A esperança é que esta seja uma semente que não caia em terra infértil ou na beira do caminho.