Nesta semana, no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados aprovava, em Brasília, o texto do projeto que regulamenta e amplia as terceirizações, uma discussão no mínimo efêmera ganhou igual ou maior destaque nas redes sociais. O "debate" foi iniciado logo após uma postagem do cantor e compositor Ed Motta, explicando de forma contundente que sua nova turnê europeia - em que apresenta faixas de "AOR", lançado em 2013 - não é, exatamente, uma volta às origens.

Os internautas não gostaram do tom da postagem e caíram de pau sobre Ed Motta, como se o texto publicado por ele tivesse um teor devastador, digno de panelaço. Já o texto que os deputados federais acabavam de aprovar não causou maiores indignações e, a bem da verdade, a manobra que ameaça os direitos trabalhistas dos brasileiros foi aceita com certa resignação, como se nada mais pudesse ser feito - pura alienação.

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Ed Motta foi, apenas, sincero. Aliás, muito mais sincero do que Chico Buarque que, na sua última turnê, "Chico", enfiou nove das dez músicas do lançamento de então goela abaixo da plateia. A diferença é que, no caso da "Virgem Maria" da cultura nacional, ninguém dos que pagam caríssimo para ver o ídolo tem coragem para gritar: "toca 'Construção'!" ou "toca 'Apesar de Você'!"

"Em geral, o público só quer ouvir as músicas que conhece", disse Chico Buarque, em entrevista a Fernando Eichenberg. "Não quero chatear as pessoas, mas também não quero só fazer a vontade dos outros, senão poderia fazer show só cantando os meus maiores sucessos. Existe esta coisa conservadora muito forte do público, de querer reviver momentos da sua juventude", avaliou.

No caso de quem vai ver o Chico Buarque, também pega mal sugerir para o "mestre", aos berros, o que ele deve interpretar, quanto mais no meio de gente tão bem-vestida.

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Ney Matogrosso também não canta - leia-se repete, no palco, à exaustão - "aquilo que já deu certo" e, a cada novo espetáculo, aposta no ineditismo. "Sou um intérprete e, por isso mesmo, quero apresentar novas composições para o meu público", justifica.

Diante dos imaculados, sobrou para o coitado do Ed Motta, que se colocou na linha de tiro justamente no dia em que os brasileiros, foram, muito uma vez, feitos de palhaços por quem eles mesmos elegeram. E enquanto a nação pede a cabaça do sobrinho de Tim Maia, os ratos põe hamsters e esquilos-da-Mongólia para correrem, na Câmara dos Deputados. Certamente, porque merecemos! #Viral