Apesar de toda a luta pela abolição da escravatura, encontramos nos dias atuais senzalas concentradas em algumas regiões do País. Em Cavalcante, no estado de Goiás, é possível conferir o tipo de exploração que ocorre. Diversos inquéritos já foram abertos e alguns concluídos pela polícia civil, cujo teor trata-se de denúncia realizada sobre o uso de jovens kalungas como escravas sexuais. Só no ano de 2015, oito inquéritos já foram concluídos.

Existentes no País, as comunidades Kalungas são compostas por descendentes dos quilombolas, de escravos fugidos e libertados das minas de ouro que viveram isolados, na região da Chapada dos Veadeiros.

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São três comunidades em Goiás: Cavalcante (a maior), Monte Alegre de Goiás e Teresina de Goiás. Alguns estudos já apontam também a presença dessas comunidades em Tocantins.

As jovens, acostumadas com trabalhos braçais nas terras improdutivas da região, geralmente são entregues pelos pais a moradores da cidade de Cavalcante onde passam a exercer atividades de empregada doméstica nas casas de famílias de classe média.

O que elas ganham?

Desprovidas do ensino médio e sem perspectiva de trabalho e futuro, as jovens assumem o trabalho de domésticas em troca de comida, lugar para dormir e oportunidade de estudar em escola pública. No entanto, acabam vítimas dos patrões com poder econômico e que aproveitam para violá-las sexualmente, exercendo o ato de estupro.

Sociedade conivente

A sociedade, apesar de estar ciente dos fatos, permitiu a situação por muito tempo, mas na troca da equipe da Polícia Civil, os novos investigadores resolveram dar foco, assustados com tanta barbaridade e tiraram das gavetas as denúncias passadas.

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O último inquérito concluído em 2015, indiciou o vice-presidente da Câmara Municipal - marido da atual vice-prefeita de Cavalcante - e o laudo comprovou o estupro executado em uma garota kalunga, de 12 anos de idade e que morava em sua residência. O indiciado nega o crime.

De acordo com o Ministério Público de Goiás (MPGO) e Polícia Civil, os casos de abuso sexual superam todos os outros ocorridos na cidade de Cavalcante, com uma média de 60 denúncias por ano. Os autores abrangem profissionais liberais e políticos e as vítimas possuem entre 10 e 14 anos, em média.

São casos monstruosos, como o caso de uma garota de 10 anos que foi estuprada por duas vezes - por homens diferentes - ficando grávida na segunda vez, com 12 anos. A irmã  desta garota também foi mãe aos 13 anos. Todos os homens envolvidos sumiram do mapa.

Ficam as perguntas: como é possível que as pessoas convivam com uma barbaridade dessas, permitindo a escravidão e abuso sexual? como esses homens conseguem dormir? alguns possuem filhas também. Não imaginam o sofrimento dessas garotas? Quando será feita justiça? #Violência