França, Alemanha, Austrália, Japão, Nova Zelândia, Irlanda, Áustria, Hungria, Grécia, Bulgária, Luxemburgo, Ilha da Madeira, Suíça, Índia e Tailândia - esses são alguns dos países que adotaram restrições ao cultivo e ao consumo de transgênicos, devido à problemas econômicos, ambientais e riscos para a saúde.

O Roundup da Monsanto, usado em plantas transgênicas resistentes a este herbicida, foi apontado em recente relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) como substância com potencial risco de causar câncer. No Brasil, está em discussão a não exigência de rotulagem de alimentos transgênicos.

O relatório da OMS aponta que o glifosato, vendido pela Monsanto com o nome Roundup, passou a ser classificado como substância do grupo 2A.

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Isso indica que o agente é "provavelmente cancerígeno para os seres humanos", de acordo com a classificação da OMS. Esta categoria é utilizada pela OMS quando existe uma evidência limitada de que o composto cause câncer em humanos, mas provas suficientes de que causa câncer, obtidas em experimentos com animais.

Pelo fato das plantas transgênicas, como a soja, serem resistentes ao herbicida, grandes quantidades do defensivo são lançadas diretamente nas plantas a serem consumidas. A Monsanto sempre argumentou que o Roundup seria inofensivo. Várias evidências e estudos têm, no entanto, demonstrado o contrário. Os danos ao ambiente e à saúde de quem aplica ou consome os produtos que recebem o herbicida são relatados em vários estudos, que resultaram na mudança da classificação da substância pela OMS.

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No Brasil, as decisões do governo federal sobre transgênicos, contam com o apoio técnico e consultivo da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). A CTNBio é uma instância colegiada multidisciplinar, criada em 2005, que trata sobre a biossegurança nacional. De lá para cá e mesmo antes de 2005, vários produtos transgênicos foram aprovados para cultivo e comercialização, no Brasil, inclusive a soja resistente ao glifosato.

Muitos especialistas argumentam que a transferência de um gene de uma espécie para outra não seja, em si, um risco. Mas mesmo esse assunto é muito controverso entre geneticistas, ecólogos e ambientalistas. No entanto, o cultivo de plantas que recebem grandes doses de um herbicida que, comprovadamente, causa câncer leva o debate sobre rotulagem ou não de produtos transgênicos a novos patamares.

É preciso também levar em conta, nesse debate, vários outros fatores além da biossegurança. Um deles é a viabilidade econômica destes cultivares para pequenos e médios agricultores. Outros fatores que não podem ser desprezados seriam as implicações do monopólio dos pacotes tecnológicos (planta transgênica resistente e herbicida), bem como os danos ambientais, econômicos e para a saúde dos envolvidos. Mas, acima de tudo, se mantivermos a opção de abertura total aos transgênicos, a não rotulagem desses produtos representa uma perda de um direito fundamental: o de livre escolha.