A semana começou e durante ela será discutido no congresso a Medida Provisória 671/2015. Ela define os limites dos gastos e estabelece regras para o refinanciamento das dívidas dos clubes de futebol de nosso país. Você sabe quanto o seu clube deve? Nem queira saber. Quase todos eles, apesar de beneficiados por loterias e por um país que produz, a cada nova safra, um conjunto de craques vendidos por quantias astronômicas, estão na bancarrota.

O público está cada vez menos entusiasmado e empolgado com os seus clubes de futebol que deixam a arte, não para serem tratados como empresas, como alguns apregoam e não cumprem.

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Antes, eles são tratados de forma amadorística e de acordo com a vaidade pessoal de cada dirigente e de seu caráter. A ética deformada de alguns deles os leva a se aproveitarem de uma fama e prestígio passageiros.

Aquilo que você nunca conseguiu junto ao gerente do seu banco, para refinanciar possíveis escorregadas que você teve nas últimas férias, com lagostas, camarões e alguns litros de seu destilado preferido, os clubes de futebol volta e meia conseguem, mais por influência política do que por justiça propriamente dita.

Nos três primeiros anos eles deverão pagar de 2% a 6% da dívida. O restante do débito com a união poderá ser quitado em até 20 anos. Além destes benefícios, nesta renegociação, ao invés de serem cobrados juros, ainda que pequenos, ou até fazer uma benesse sem juros, os descontos para os clubes atingem até 70%.

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Perto do que vazou dos cofres do mensalão e do petróleo está na faixa de R$ 3,5 bilhões. Quantia para ninguém botar defeito. O complemento da proposta é composto por algo que possivelmente não seja atendido: os clubes devem aceitar auditorias nas contas, ter regularidade nos pagamentos de contribuições previdenciárias, trabalhistas e contratuais, o que a lei comum já lhes exige. Eles também não podem comprometer mais do que 70% das receitas brutas com o futebol.

Já muitas vezes utilizado é o lugar-comum, o clichê que cabe direitinho nesta ocasião: melhor do que isto, somente se for verdade.