Na primeira viagem, as pessoas poderão gritar: amarrem os cintos: o motorista sumiu. Isto acontece com o comum dos mortais que não consegue imaginar como será o seu relacionamento com seu carro sem motorista. Alguns modelos falam. Outros informam a distância ao destino. Alguns podem dizer o tempo para chegar. Os protótipos já existem. Quem está conectado com as novidades: o carro é inteiramente conectado, com o carona, com as redes sociais, com satélites que varrem o tráfego. Será possível se antever comodamente sentado no banco, sem ter que se estressar com o trânsito.

Os mais precavidos previram que a mudança não será radical a este ponto.

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Chegaremos lá, sim, mas devagar, a melhor maneira de se chegar longe (em italiano fica mais sonoro e bonito... piano, piano, si vá lontano). Até chegar a um ponto de autonomia total irá demorar um pouco. Não tanto como querem os que são contra.

Imagine poder conversar tranquilamente com a esposa: som e imagem. Seu despertador (do smartphone) o acordará na hora certa. Ele o informará do tempo lá fora. A um toque seu a garagem abrirá a porta. O autoguiado surgirá formoso na porta de casa. Se houver algum atraso ele próprio enviará um e-mail para a chefia, assumindo o erro.

Imagine que seu veículo poderá falar com o que está ao lado. Você pode ouvir as novas, consultar como estão suas aplicações na bolsa de valores e bloquear todas as mensagens que falam sobre morte, assassinatos e outros que tais, que somente os bárbaros gostam.

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Seu Lidar - Light Detection And Ranging evita qualquer batida. O carro nunca irá arrancar bruscamente, menos ainda frear repentinamente. Esta tecnologia cuida de tudo. Inclusive, escolhe um roteiro alternativo caso algum problema surgir. O Lidar faz tudo por conta própria. Não é que ele seja antipático, é que ele foi projetado para ser assim mesmo. Estes veículos são caros. Estão reservados apenas para pessoas de elevadas posses financeiras, como políticos brasileiros com suas contas em paraísos fiscais.

Imagine só um veículo com estas características fazendo uma viagem desfilando na BR-116. É capaz de sequer chegar ao destino de tanto ficar tonto desviando de buracos existentes na rodovia federal (imagine como estão as estaduais). As janelas devem ser escuras até todo mundo se acostumar a ver veículos sem motorista, sem ter um ataque de nervos, imaginando o mundo sendo invadido por extraterrestres.

Os erros não mais serão humanos, serão "bugs" de computadores. Como responsabilizar o dono? Como responsabilizar o motorista inexistente? Algum software remoto, algum problema na nuvem? Os fabricantes devem rodear-se de companhias de seguro de alto risco.

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Ainda não inventaram o computador perfeito. Algumas pessoas poderão morrer em acidentes (em dias de nevasca, por exemplo), mas o número será bem menor que hoje.

Seu carro apita insistentemente a cigarra atrás do banco. Absorto o passageiro não o viu chegar e deixar a porta aberta, aguardando que fosse ao trabalho. Quando a pessoa sai ele vai até sua vaga (reservada) em um novo modelo de estacionamento que ainda não foi criado.

Portanto, prepare-se. Os carros sem motoristas são uma realidade irreversível e não haverá jeitinho brasileiro que o faça ultrapassar em local proibido, avançar sobre pedestres ou causar algum acidente. Você certamente achará outro lugar onde cometer seus pequenos pecados. No trânsito do futuro, tudo andará na mais perfeita ordem. #Opinião