Nos últimos dias o Nepal passou por uma grande tragédia, um terremoto que matou milhares de pessoas. Desde décadas atrás, estudos e mais estudos foram feitos, mostrando a vulnerabilidade do país em relação a terremotos. E apesar do histórico de tremores no país, muito pouco tem sido feito a respeito para que se possa diminuir os danos causados, que não são poucos. A grande missão de ajuda internacional vem reforçando a imagem de um estado aparentemente impotente, dependente da ajuda externa, incapaz de resolver seus próprios problemas.

A impressão que nós estrangeiros temos, é que o Nepal continua a ser um destino clássico do Himalaia.

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Kathmandu, sua capital, que é famosa por seus palácios antigos, não passa de uma vitrine do turismo para caminhadas e aventuras aos pés do Monte Everest. Porém, essa representação como um cartão postal acaba mascarando as adversidades que a população nepalesa vem passando, pois se existe algo mais catastrófico do que suas condições naturais e geológicas, é a sua política.

Maoísmo no Nepal

Em um cenário de insatisfação do povo com o reinado dos irmãos Shah Dev, a insurgência maoísta nasce na década de 90, com o objetivo de acabar com a desigualdade étnica que era orquestrada de dentro do palácio de Kathmandu. Com mais de 12.000 mortes, a rebelião maoísta terminou em 2006, através de um processo de paz supervisionado pela ONU, transformando o país.

Guerrilhas maoístas que eram inimigas do #Governo se tornaram parte dele.

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Eleições levaram a formação de um novo governo e uma assembleia redigiu a constituição do estado. Em 2008, a centenária monarquia do Nepal foi formalmente abolida. Em 2012, as unidades maoístas de combate foram integradas ao exército do país.

Disputas Políticas

O Nepal vem trocando uma #Crise por outra, o interesse nacional está em segundo plano por causa das disputas de partidos políticos. Algo que nós brasileiros conhecemos bem. Além disso, novas legislaturas são eleitas para escrever uma nova Constituição com nenhum sucesso. Atritos entre os maoístas, monarquistas e os partidos políticos centristas geram governos de coalizão que entram em colapso rapidamente, ocasionando diversos protestos e greves que paralisam o país.

Prashant Jha, autor de "Batalhas da Nova República: A #História Contemporânea do Nepal" diz: "O único propósito da classe política tem-se centrado sobre a sobrevivência. Até a burocracia do país está amplamente politizada".

Além de danificar a economia do país, esse impasse político torna o Nepal completamente incapaz de se fortalecer de uma maneira que possa suavizar o impacto de desastres naturais, uma vez que sua infraestrutura continua precária, sem esperança de melhorias.

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"Não temos uma cultura política onde há um ministro do Interior que passou anos desenvolvendo os meios para lidar com esse tipo de desastre". Complementa Pershant Jha.

Falhas do Estado

Como remodelar um país que possui cerca de 30 milhões de pessoas divididas em diversos grupos étnicos? Complicado. Principalmente se for feito de uma maneira democrática. Kunda Dixit, jornalista nepalês do New York Times diz: "Não houve eleições no distrito por quase duas décadas, e os comitês que regem os conselhos locais não estão organizados para coordenar a assistência de emergência."

Ao invés de pensarem na população como um todo, políticos querem que suas especificidades tenham mais importância do que todas as outras. Deveriam priorizar os problemas que TODOS os nepaleses têm em comum, seja uma tragédia natural ou não.