Uma revolução está em curso no Brasil. Podemos explicá-la com um breve exemplo: há quem goste de assistir filmes antigos. Em algumas cenas, sentem grandes saudades daquele médico de família. Não importava a hora. Muitas vezes eles iam até a casa de pessoas que nada tinham. Era apenas algum problema psicológico somatizado de forma agressiva.

Bastava o médico chegar e pronto. O sorriso voltava à face do doente. Ele sempre tinha em mãos um pequeno frasco. Nele algumas pílulas (placebos) com gosto adocicado, resolviam diversos problemas de falso doentes e dos verdadeiros também.

Muitas destas pessoas chegam no dia seguinte, no qual tem uma consulta marcada.

Publicidade
Publicidade

Elas são atendidas praticamente na boca do caixa. Saem 10 minutos depois do consultório (isto quando são bem atendidas), com uma bateria de exames de assustar. Alguns nomes são assustadores. Sempre estão escritos em letra ilegível. De quebra, as receitas são de remédios caros. Algumas com recomendação de onde ser comprada, com cartãozinho do médico preso na receita. Cada compra, um aumento no acerto de contas do final do mês.

Aonde se escondem os médicos antigos? Em que lugar estão eles, que sabiam como curar os doentes de males da unha do dedo mindinho do pé (que costuma ser atacado com os mais diversos e estranhos tipos de doenças), até o último fio de cabelo (para os que ainda não estão carecas, fato com o qual colabora a poluição do planeta azul)?

Os médicos mais humanos (que o humanismo volte à moda é um desejo de todos) estão em falta.

Publicidade

Eles agora são superespecialistas. A sua distância para Deus diminui cada vez mais. Tal proximidade, faz com que alguns se considerem como tal.

A reclamação por sua falta cresce a cada dia que passa. As pessoas que estão doentes, ou que pensam assim estar, sentem falta do ar protetor e bonachão de Patch Adams. Dele e de muitos outros médicos que seguiram seu exemplo. Eles se espalham por tantos cantos deste enorme país. Se existe um número suficiente de médicos onde eles estão. Decerto escondidos em consultórios caros transformados em Narcisos, que acabam com sua vida frente a uma vaidade sem tamanho.

São os sinais de um tempo indesejado. O humanismo e os médicos se encontram separados. A distância entre eles é cada vez maior. Para fugir da responsabilidade as pessoas se escondem por trás do estereótipo do retrocesso saudosista, que as pessoas, não somente as mais velhas, têm das coisas de antigamente. Será que vale a pena pagar o alto preço da falta de amor ao próximo, da falta de respeito aos mais velhos, da banalização das injustiças sociais? Que não sejam eles mais aqueles velhinhos que entram pela porta, alquebrados, cansados.

Publicidade

Quando forem conhecer a verdade das coisas, irão deixar um vazio que as pessoas não mais têm condições de preencher na atualidade. Que sejam jovens dinâmicos e saudáveis.

Estes velhinhos muitas vezes conjecturam consigo mesmos: será que ninguém enxerga que não existem doentes, mas apenas doenças?

O périplo pela mão de diversos especialistas acaba matando o doente de um mal que ele sequer tinha, ou que se tinha, estava sendo tratado de algum mal oposto e cujo remédio acabava por matar o doente. Muitas vezes o melhor remédio é a presença do médico que cura. Ainda que não recorra a expedientes outros que não a sua vontade de ajudar os doentes. Quem apenas se preocupa com a doença e esquece o paciente, está a meio caminho andado de levar o dobro do tempo que seria necessário para descobrir seu problema. #Medicina