Não raramente, quando entrevistados, grandes cientistas colocam afirmações polêmicas. Elas reúnem em seu entorno discussões diversas. Costumam se estender dos círculos acadêmicos para as rodinhas de amigos ou de companheiros de trabalho. Recentemente, Stephen Hawking teve sua vida apresentada na telona, no filme a "teoria de tudo". Se o filme não revela totalmente os segredos de sua vida pessoal, desperta admiração por sua luta contra um mal perturbador (doença de Lou Gherig, a esclerose lateral amiotrófica) que paralisa as pessoas.

Seu trabalho e sua persistência despertam a admiração das pessoas que tomam conhecimento de seus trabalhos.

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Suas opiniões são tratadas como argumentos de autoridade. Assim são defendidas por muitas pessoas. Algumas, quando instadas a colocar sua opinião, apenas dizem sem refletir: eu penso como Stephen (ela poderia completar sem que fosse uma inverdade: logo não existo).

Qualquer afirmação que um ser humano faça, pode se tornar realidade. Os exemplos são muitos. O medo que as tecnologias provocam são provenientes de tempos imemoriais. Foi assim com Hermes. Quando ele apresentou a Thamus (antigo Faraó) a invenção da escrita, ao invés de elogio, obteve como resposta, a crítica que ela acabaria com a memória. Disse ele: "com sua invenção as pessoas não mais serão obrigadas a treinar a memória. Lembra-se-ão não por esforço interno, mas por virtude de um dispositivo externo". Isto não aconteceu ou quem sabe tenha acontecido parcialmente, mas a informação e sua transmissão, que de escrita se transforma em dados digitais, pode ser considerada como uma das alavancas do progresso.

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O mesmo medo pode ser visto de uma forma um pouco diferente se alguém, ao olhar para Hawkins, lhe disser: "Se este fato acontecer porque os seres humanos serão necessários?".

Retorne ao tempo. Não precisa ir muito longe. Cem anos é suficiente. Quem, em 1915, acreditaria que uma impressora 3D, colocada em sua casa, poderia "imprimir" desde a casinha de brinquedo de suas filhas, até uma prótese para reposição de algum membro?

Assim, tudo o que se ouve e, tudo o que se vai falar, deve ser objeto de reflexão e estudo. Porém, na maioria das vezes, condições de falta de cultura e não de condições cognitivas, levam as pessoas a aceitar tudo o que lhes é dito. A crença (e a descrença também) são um obstáculo que pode se tornar intransponível na evolução humana.

O brilhante físico apresenta uma colocação que deve ser pensada: "em no máximo 100 anos, os computadores irão superar os seres humanos". Escritores de ficção pintaram um futuro negro frente a esta realidade. Não é a primeira vez que esta hipótese é aventada.

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Mas desta vez, ela está sustentada por um argumento de autoridade. Se ele não é irrefutável, pelo menos suscita a necessidade de uma reflexão. É preciso analisar os efeitos sociais que isto poderá produzir. Talvez eles sejam mais profundos que a mudança da sociedade industrial, para uma sociedade onde a informação em profusão, permite criar novos conhecimentos a cada segundo.

Quando a fala de Hawkins e de outros cientistas chegar até você não a ignore como algo descartável, pare e reflita. Neste caso, será que se isto acontecer, o ser humano, já tão insignificante frente ao tamanho dos mistérios do universo, ainda será necessário, com suas imperfeições? Será que nas novas gerações será possível termos um cérebro como o de Hawkins florescendo em meio a tão terrivel doença? #Inovação #Internet #Comportamento