O jornal britânico The Guardian publicou hoje, 25/6, uma extensa reportagem na qual questiona o custo da exploração de petróleo no pré-sal brasileiro, associando-o a um "negócio obscuro", citando o escândalo de corrupção na #Petrobras deflagrado pela Operação Lava Jato e denunciando "prejuízos ambientais" que seriam desconhecidos da maioria dos brasileiros.

O texto, dividido em quatro capítulos, intercalado com vídeos e infografias, faz parte de uma série de grandes reportagens publicadas online sobre mudanças climáticas em todo o mundo e sugere que a exploração do pré-sal está modificando o ecossistema local. "O ativismo ambiental no Brasil pode ser perigoso", afirma o jornal, que dedica boa parte da reportagem a contar a história de Alexandre Anderson e seus colegas pescadores, que lutam para expor supostos crimes ambientais da petroleira estatal na Baía.

Publicidade
Publicidade

"A Baía de Guanabara é um lugar sagrado para nós. Nós a respeitamos como uma igreja ", diz Alexandre ao jornal. "Mas a Baía está se tornando um pólo industrial de uma maneira repugnante e criminosa."

Cariocas não conhecem as implicações da exploração na Baía de Guanabara

Segundo o The Guardian, poucos cariocas têm conhecimento da real dimensão da ameaça causada pela exploração de petróleo na Baía de Guanabara. A reportagem enumera possíveis irresponsabilidades socioambientais, como a Refinaria de Duque de Caxias que "expele fumaça turva a partir de seis chaminés". "Ao todo, são, pelo menos, duas refinarias, quatro terminais, quatro estaleiros navais, bem como tanques de armazenamento incontáveis, navios de apoio e de serviços, fábricas e oleodutos subaquáticos. As águas - agora consideradas demasiado sujas para nadar - são como o pátio de um posto de gasolina gigante", afirma o periódico.

Publicidade

O Brasil ignora alertas de especialistas em meio ambiente

O The Guardian vai além, afirmando que as sugestões de ativistas climáticos, de que "o reservatório de combustível fóssil [o pré-sal] é uma 'bomba de carbono' que deve ser deixada no chão", são vistas pelas autoridades brasileiras como intromissão e hipocrisia dos países desenvolvidos. O jornal cita Guilherme de Oliveira Estrella, um dos responsáveis pelo descobrimento do pré-sal - hoje aposentado -, que afirma que os países ricos não têm condições de avaliar a posição brasileira perante os combustíveis fósseis. "A base da revolução industrial do Reino Unido foi de carvão. Como eles podem agora dizer que não podemos usar nosso próprio pré-sal?", teria dito.

'Perigos' da exploração do pré-sal

Há na reportagem, ainda, um capítulo inteiro com apontamentos de riscos que a exploração do pré-sal traria consigo. "A superação das dificuldades [para a exploração] é cara. Poços do pré-sal podem custar até US$ 300 milhões (R$ 190 milhões) para perfurar, cerca de quatro vezes mais do que aqueles em águas rasas", afirma o jornal.

Publicidade

O texto também fala de supostas negligências com trabalhadores da Petrobras e de empresas que prestam serviços para ela, citando, inclusive, alguns incidentes que teriam acontecido em alto mar e em outras operações que envolvem a estatal. Segundo a matéria, gerentes ganhariam bônus para minimizar a quantidade de incidentes, que seria alta.

O custo da corrupção

No último capítulo, intitulado "a maldição da corrupção", o The Guardian fala da infeliz coincidência dos escândalos de corrupção na estatal com a queda no preço do barril de petróleo. Fala, ainda, das consequências do escândalo (endividamento, queda no valor de mercado, baixa de milhares de empregos) e colhe depoimentos de brasileiros comuns, ressaltando que a opinião pública vai do apoio patriótico e pragmatismo econômico à inquietação sobre a má gestão e os riscos ambientais. #Mídia #Sustentabilidade

*A reportagem 'Brazil's troubled waters' pode ser vista no site do The Guardian