No dia 14 de julho de 1992 o primeiro dos 20 capítulos de "Anos Rebeldes" estreava. O autor Gilberto Braga provavelmente imaginou o grande sucesso que seria a ponto de ter sido reprisada três vezes, a última em comemoração aos 40 anos da Rede Globo.

Em 92, na vida real, o Brasil era governado pelo 1º presidente civil eleito após a Ditadura Militar, Fernando Collor de Mello, cujo impeachment era pedido pelo povo nas ruas, por denúncias de corrupção. Em 27 de maio, uma CPI fora instaurada e em dezembro de 1992, Collor renuncia à presidência. Especulou-se que a série influenciara os jovens estudantes a formarem passeatas e os grupos "caras-pintadas", pedindo a saída de Collor em manifestações nas ruas.

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Coincidência ou não, estreava justamente na data da Queda da Bastilha, na França, outro histórico movimento revolucionário de protesto popular.

Alunos do Colégio São Vicente de Paula, no Cosme Velho, aonde o próprio Collor estudou, chegaram a sair mais cedo para a manifestação pelo impeachment.

Marco Aurélio Martorelli, na época diretor do Centro Acadêmico 11 de Agosto, da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, declarou, na ocasião, que "Está havendo uma mudança de comportamento. Se antes lutávamos pela liberdade, hoje lutamos pela moralização do país.”.

A minissérie contava o período de Ditadura Militar no Governo brasileiro, que era o pano de fundo para o romance de João Alfredo (Cássio Gabus Mendes) e Maria Lúcia (Malu Mader), que mais tarde formava um triângulo amoroso com Edgar (Marcelo Serrado), melhor amigo de João, mas também apaixonado por Maria Lúcia.

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João é um idealista, preocupado com as questões sociais do país, participa de assembleias e lidera movimentos contra a ditadura. Maria Lúcia é uma estudante, inteligente, com os pensamentos voltados para os estudos e família, bem como Edgar, que prefere investir na carreira profissional e felicidade pessoal.

Ao entrar para a luta armada, João, tendo que optar entre o amor e a luta, rompe com muita relutância com Maria Lúcia, que mais tarde se casa com Edgar. Mas, todos acabam sendo infelizes nas escolhas.

Outra personagem de destaque memorável é Heloísa, numa primorosa atuação de Cláudia Abreu, recebendo da APC o prêmio de melhor atriz. Em princípio, Heloísa é uma jovem mais interessada apenas em namorar e viver confortavelmente com os pais, mas, numa transformação radical, torna-se uma guerrilheira urbana, lutando contra o governo militar.

Pedro Cardoso deu o toque humorístico de Anos Rebeldes com sua personagem Galeno Quintanilha, sem se importar muito com os estudos, sonhando com uma carreira no mundo artístico.

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Do grupo dos jovens, apenas Heloísa não é estudante do tradicional Colégio Pedro II.

Os já extintos Teatro Opinião e o cinema Paissandu foram reconstituídos pela equipe de cenografia, num trabalho impecável de pesquisa. A excelente trilha sonora reviveu sucessos da época, como “Baby”, de Gal Costa, “Soy Loco Por Ti America” e “Alegria Alegria”, de Caetano Veloso, e as internacionais “There's a Kind of Hush”, dos ingleses Herman's Hermits, "Can'T Take My Eyes Off You", de Frankie Valley & The Four Seasons, dentre outras.

Uma "clínica de política" foi dada pelos atores Gianfrancesco Guarnieri, Francisco Milani e Bete Mendes, que reuniam os mais jovens e explicavam fatos da época.

Baseada em fatos verídicos, uma das melhores minisséries da história da Tv vai até 1979, ano da Lei de Anistia, quando o exilado João volta ao Brasil e reencontra Maria Lúcia, já trintões. #Televisão #Novelas