Ações terroristas radicais sempre foram execradas e temidas pelas sociedades democráticas e pelos amantes da liberdade. Entretanto, após a 2.ª Guerra Mundial, o mundo não se tornou um local mais seguro para as pessoas, ao contrário, as últimas décadas têm testemunhado ações e práticas de assassinato, sequestro, violações de mulheres e crianças, acionamento de explosivos em cidades com grande concentração de gente, envenenamento intencional das águas de reservatórios e represas, etc.


O mais incrível é que até sítios arqueológicos no Oriente Médio, considerados Patrimônios da Humanidade pela Unesco estão sendo quebrados, destruídos por ações do Estado Islâmico, o qual se diz seguidor da sharia ou lei islâmica, ganhando notoriedade após o término da invasão dos Estados Unidos ao Iraque. Tudo isto apresentado em tempo real pelos canais de televisão dentro das salas de estar dos telespectadores mundo afora. Entretanto, vale o questionamento: os membros do EI dizem estar amparados religiosamente já que o Profeta Maomé também destruiu com as próprias mãos ídolos pagãos, mas se é assim, porque o EI vende alguns destes artefatos no mercado negro? A resposta é simples, das antiguidades conseguem quantias importantes para capitalizar o grupo.


Na semana passada na Alemanha, Irina Bokova, diretora-geral da Unesco, falou sobre a importância de se proteger o patrimônio cultural do Iraque (também a Síria tem perdido grande parte do seu patrimônio arqueológico devido à guerra civil que assola o país). O pior disto tudo é que novos sítios são adicionados a lista macabra da Unesco dos patrimônios que correm perigo real de destruição. Hatra, um antigo deserto da cidade dos partos no atual Iraque já foi atacada pelo EI no início do ano; Samarra - famosa por sua torre em espiral - e Ashur, antiga capital dos assírios, também foram seriamente danificadas. Em Nimrud, adeptos do grupo demoliram esfinges aladas gigantes e outros objetos antigos e também saquearam antiguidades no museu da 2.ª cidade mais importante do Iraque, Mossul.


A pergunta é: ao se inscrever Hatra e outros locais próximos na listagem de patrimônios mundiais em perigo vai adiantar de algo contra o EI? Alguns acreditam que ocorrerá justamente o contrário, pois o EI terá assim mais visibilidade às suas práticas. A Unesco busca novos métodos e estratégias para parar a destruição, pois militarmente os avanços conseguidos contra o #Terrorismo têm sido praticamente nulos.

Uma estratégia considerada importante é o envolvimento das comunidades locais na proteção da cultural. A ideia é simples: quando as pessoas locais recebem parte dos lucros oriundos do turismo e compreendem os benefícios econômicos constituídos à longo prazo, acabam sendo incentivadas a proteger os locais de pilhagens, do desenvolvimento comercial descontrolado e da destruição por motivos ideológicos. #Ataque #Estado Islâmico

Semanas atrás o oásis romano de Palmira, cidade espetacularmente preservada no leste da Síria, teve um dos seus dois mausoléus explodido pelo EI e a economia de Palmira é totalmente dependente do turismo. Privar os seus habitantes do turismo é privá-los de seus meios de subsistência. Uma coisa é certa, se a história da humanidade que levou no mínimo 6.000 anos para ser escrita terá um fim tão trágico e melancólico como o que vem acontecendo, pode-se afirmar que de nada valeu a pena chegarmos até aqui. Por outro lado, quando estátuas parecem clamar por socorro e esfinges alçam voo para a liberdade, parece que nem tudo está perdido.