O que você acharia se, de repente saísse na rua de seu bairro e visse os postes ornamentados com potes pequenos de terra contendo ervas naturais plantadas, como hortelã e manjericão? Independente de sua resposta, seguramente teria uma agradável sensação ver as plantas assim, como se tivessem brotado do nada.

Foi uma feliz iniciativa do grupo "Coletivo Escala Humana" na cidade de São Paulo, reproduzindo o que é comum de se ver nas cidades interioranas de todo o Brasil. Nem mesmo importa se o objetivo é esse, ou simplesmente decorar a cidade, deixar as ervas para as pessoas usarem ou incentivar o cidadão a fazer o mesmo, o que seria uma atitude insólita e inédita, mas certamente é bem-vinda a todos, sem exceção.

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Segundo sua página no Facebook, o movimento Coletivo Escala Humana visa interagir e compor com os espaços públicos, através de intervenções urbanas simples, com potencial de serem replicadas.

O movimento não se limita apenas a colocar ervas em postes e cartazes nos mesmos com a pergunta "Que tal um poste para chamar de seu?". Na inauguração da ciclovia na movimentadíssima Avenida Paulista, ele também esteve presente, incentivando a população a fazer uso do salutar esporte do ciclismo, pedindo "mais amor e menos motor". Justamente do que as grandes cidades estão precisando.

Postes virando hortas, barquinhos de papel navegando nas ruas em dias de chuvas ostentando mensagens positivas, perguntas ecológicas sobre cuidados da cidade, enfim, movimentos urbanos jamais vistos que incentivam numa transformação social de modo positivo.

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Se o objetivo for que as pessoas reparem mais na cidade, cuidem mais dela, pensem e ajam com menos individualidade, o movimento está acertando.

É uma intervenção urbana diferente, embora esse tipo de movimento artístico não seja novidade nos espaços públicos. As intervenções urbanas têm vários estilos diferentes com o passar do tempo. Grafites, adesivos, cartazes e até azulejos coloridos, permitindo a livre expressão da #Opinião dos artistas, poetas e pensadores, geralmente divulgada em grandes cidades, mas esta última não é uma regra.

ESCADARIA SELARÓN NA LAPA

No Rio de Janeiro, um dos mais famosos exemplos de intervenção urbana é a Escadaria Selarón, no boêmio bairro da Lapa, perto do Centro. Com aproximadamente 1.100 peças, o artista Jorge Selarón, um chileno nascido em Valparaíso e que mora no Rio, reuniu e colocou os azulejos na escada que une a Lapa à Santa Teresa, bairro próximo. É tida como uma atração turística carioca.

Nos anos sessenta e setenta, os anos rebeldes e de chumbo, esse movimento existia, mas em forma de protesto, clamando por liberdade e melhoria de vida.

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O mais popular exemplo foi quando jovens norte-americanos municiavam os rifles dos soldados com a flor, símbolo da paz e do amor, enfiando-as nos canos das armas.

De qualquer forma, a intervenção urbana é um movimento que sempre terá como regras básicas o inusitado e a surpresa, em lugares aonde milhares de olhos poderão observar, como no caso do Coletivo Escala Humana. E que ele se alastre por todas as grandes cidades brasileiras. #Curiosidades