Os bispos da Confederação Brasileira dos Bispos do Brasil (CNBB), capitaneados pelo cardeal-arcebispo Dom Orani Tempesta, divulgaram em seu site, notas na qual manifestam profunda preocupação pela tentativa de implantar a discussão sobre ideologia de gênero nas escolas municipais do país.

A motivação do episcopado tem origem no Plano Nacional de Educação (PNE). O PNE que passou batido pela sociedade brasileira, estabelece 23 metas e 223 estratégias para a educação no Brasil para os próximos dez anos. Na verdade, o plano já deveria estar valendo para o decênio 2011-2020, porém um desses imbróglios tão comuns na política brasileira, atrasou a votação na Câmara em Brasília e só aconteceu mês passado.

Além da questão do percentual do PIB a ser destinado a educação (ficou decidido 10%), um outro ponto de discussão foi o descrito no artigo 2, que é focado na superação das desigualdades educacionais e que destaca "com ênfase na promoção da igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual".

Aparentemente, sem problemas. Mas não foi. Políticos de bancadas conservadoras e religiosas, como o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) consideraram o compromisso com a igualdade de gênero, uma ameaça aos valores, à família e aos alicerces morais da sociedade. Embora o artigo 2 se refira à superação da desigualdade entre homens e mulheres na política, no mercado de trabalho, na mídia e na sociedade em geral, os fundamentalistas entenderam se tratar da defesa da ideologia de gênero. O barulho criado por essas pessoas foi tão grande, que o termo acabou cortado do PNE.

Em um país democrático, a igualdade de gênero é tão importante quanto a igualdade racial, a regional ou a religiosa, não citada, porém nunca questionada. Uma democracia não se faz pelo desejo da maioria, mas pelo respeito a minoria, seja ela qual for.

E é nesse sentido, que a expressão ideologia de gênero assusta a tantos. A ideologia de gênero é a ideia que o indivíduo nasce "neutro", independente do fator biológico, e que ao longo da vida escolhe a identidade de gênero que mais se identifica, ou seja, homem, mulher ou a pessoa se vê como alguém fora do convencional. O psicólogo norte-americano Robert Stoller destaca a diferença conceitual entre sexo e gênero. Sexo é definido por aspectos biológicos e anatômicos. Sexo feminino, masculino, macho, fêmea. Gênero remete a aspectos sociais, culturais e históricos.

Identidade de gênero também não se confunde com orientação sexual, esta tem a ver com a sexualidade, desejo e atração por alguém de algum gênero, daí a heterossexualidade, homossexualidade ou bissexualidade. Pessoas transsexuais, por exemplo, podem ser hétero, lésbicas, gays ou bissexuais.

Explicado o conceito, voltamos aos bispos. Apesar de cortado do PNE, o assunto está sendo votado nos municípios e onde aprovado, será incluído no plano educacional das escolas. Daí a preocupação da CNBB, que a exemplo da bancada conservadora, também considera a identidade de gênero um desrespeito ao Criador. A #Igreja entende que a "negação ao aspecto biológico e a ênfase somente no aspecto afetivo" são prejudiciais a família e a sociedade. Uma clara demonstração de não aceitação e menosprezo a felicidade do "diferente". #Religião #Comportamento