Nas últimas décadas, um país montanhoso asiático, tendo a famosa cadeia de montanhas do Hindu Kush como um dos seus principais cartões-postais, chama a atenção dos políticos, militares e opinião pública mundial, por invasões, conflitos, divisão religiosa, presença massiva de grupos terroristas como Al-Qaeda e talvez o Estado Islâmico (EI) nas suas montanhas e vilarejos.


Que nação reúne tantos infortúnios simultâneos? Trata-se do Afeganistão, que neste momento, vivencia nível inigualável do aumento da violência e dos conflitos armados contra os talibãs e outros combatentes estrangeiros, deteriorando a já frágil estabilidade e segurança do país. Com este cenário, Hanif Atmar, Conselheiro de Segurança Nacional do Afeganistão, advertiu que a nação se depara com "graves ameaças à segurança" de grupos terroristas como a Al-Qaeda, ISIL, Lashkar-e-Tayyiba, Movimento Islâmico do Uzbequistão, Movimento Islâmico do Turquestão Oriental e Ansarullah de Tadjiquistão.


Hanif afirmou EI busca acesso ao mercado de drogas no país visando capitalizar suas atividades e acessar a Ásia Central, tendo o Afeganistão como porta de entrada. A triste situação da segurança, a precariedade do Estado de direito e os conflitos armados têm funcionado como homologadores para "justificar" a continuidade da presença militar dos #EUA para além de 2017. Por outro lado, desde a criação do novo governo no Afeganistão, o Presidente Ashraf Ghani e altos funcionários expressam repetidamente para Washington, o desejo de ter mais "flexibilidade" sobre a saída das tropas norte-americanas do seu território.

Atmar disse recentemente que "O Afeganistão está satisfeito com o pacto de segurança", assinado com os EUA, basicamente que por meio desse Acordo Bilateral de Segurança, as forças militares afegãs recebem diariamente dos americanos cerca de 12 milhões de dólares. No entanto, isto cria uma total situação de dependência, o que leva muitos afegãos e analistas internacionais a acreditarem que os EUA falharam deliberadamente em equipar as forças de segurança nacional afegã com armas modernas.

Uma outra situação que se coloca é sobre a presença do EI no Afeganistão ser um mito ou realidade. Apesar das declarações do governo dos EUA sobre o fim da sua missão de combate na região, os americanos continuam a realizar missões constantes contra os talibãs e grupos terroristas. O Presidente Ghani declarou várias vezes, dentro e fora do país que o EI é pior do que a Al-Qaeda, representando séria ameaça a nação ao ponto de discursar para um encontro de líderes políticos e religiosos do país, falando que "o #Terrorismo internacional nega ao Afeganistão um futuro estável e perturba a segurança na região e no mundo". #Estado Islâmico

Mas não é exatamente isto o que pensam muitos afegãos que iniciaram debates acalorados no Parlamento e nos programas de TV criticando o acordo de segurança com os EUA e exigem que o governo afegão reconsidere o pacto feito, afirmando inclusive que o "assunto EI" não passa de uma desculpa esfarrapada para a permanência americana no país. Se o governo dos Estados Unidos quer permanecer por mais tempo, terá de encontrar maneiras de acabar com a desconfiança crescente sobre os seus objetivos reais no Afeganistão. Os afegãos não se oporiam a prorrogação da presença militar norte-americana no país, desde que ela de fato lhes trouxesse paz e a estabilidade concretas; porém, este futuro harmonioso até agora não foi conseguido através dos séculos pelo Afeganistão e seu povo.