Em tempos de crise, nos colocamos a pensar sobre nossos valores e princípios, sobre o que nos foi ensinado e sobre tudo o que passamos. Ditadura, abertura política, planos e mais planos econômicos, impeachment, estabilidade econômica, ascensão das classes menos favorecidas e a derrocada institucional de nossos supostos heróis.

No Brasil, nada é eterno, até porque nossa cultura nos leva sempre a buscar novidades e novos heróis, assim, acreditamos que num passe de mágica alguém possa ascender ao poder e resolver todas as nossas mazelas.

Mas, analisando pormenorizadamente nossa atual conjuntura, podemos concluir que: o que está acontecendo não é nenhuma novidade.

Publicidade
Publicidade

Crises, principalmente a política, sempre fizeram parte de nosso "cardápio", mormente nos idos das décadas de 70, 80 e início dos anos 90, o que se seguiu foi uma bolha de crescimento e autoafirmação jamais experimentada, que obviamente tinha prazo certo para terminar, afinal, ninguém consegue esconder ou fugir da realidade dos fatos.

Ao contrário, temos ainda que agradecer por a crise não ser ainda pior. Quando a atual bandeira política subiu ao poder, sabíamos que os riscos eram incalculáveis, que se os mesmos tivessem chegado ao poder alguns anos antes, este país seria transformado em terra sem lei, afinal, onde a ira reacionária impera, o bom senso e a democracia são anulados. 

Protestos em todo o país

Num estado de direito consolidado, estas questões não deveriam nos tirar o sono, mas como todo bom país latino, sabemos que as coisas tendem a acompanhar o soprar dos ventos, assim, leis e instituições nacionais devem ser utilizadas e direcionadas a "resolver" mais esta crise a contento de seus criadores.

Publicidade

Imagino, o que aconteceria se fossemos responsáveis por nossos outorgados políticos, ora se passamos uma procuração pública ou privada a alguém nos tornamos reféns de seus atos, então pensamos muito antes de outorgar qualquer poder que seja a um amigo, familiar, profissional ou terceiros desconhecidos.

Mas ao irmos até uma de nossas maravilhosas urnas eletrônicas, registramos nosso voto e outorgamos uma procuração coletiva a um indivíduo muitas vezes desconhecido, ou pior, muito conhecido por seus atos de improbidade administrativa, mas claro, não temos com o que nos preocupar, afinal, basta não acompanhar seu trabalho, não ler jornais, não se interessar pela vida política de nosso país, que sequer saberemos o que foi feito de bom ou de ruim por este político durante seu mandato.

Imaginem comigo, e se passarmos a responsabilizar os outorgantes pelas atitudes corruptivas dos políticos democraticamente eleitos, simples, nossas urnas nos permitem saber quem votou em quem, assim, quando um político rouba, corrompe ou é corrompido, quem o elegeu deveria no mínimo responder por associação ao crime, formação de quadrilha ou bando, conforme está previsto em nosso ordenamento jurídico.

Publicidade

Não basta ter ou criar boas leis, o necessário é segui-las e fazê-las serem cumpridas, mas obvio, isto geraria um caos jurídico penal em nosso país, não haveriam tribunais suficientes para tantos processos, então melhor se contentar com a poeira em baixo do tapete e aguardar o próximo "Salvador da Pátria". 

Operação Lava Jato #Corrupção #Crise econômica #Reforma política