Segundo informações publicadas pelo portal UOL, no mês de junho de 2015, no Rio de Janeiro, Kaylane Campos, uma menina de 11 anos, foi apedrejada na cabeça e insultada por dois homens com Bíblias na mão, somente por ser do Candomblé. A intolerância religiosa no Brasil é inegável, mas saiu das ofensas para chegar a níveis de criminalidade e violência aterrorizantes.

Uma investigação realizada em diferentes estados brasileiros pela Ação Educativa constatou que a intolerância religiosa apresenta diversos casos de violência física (socos e apedrejamento), humilhações, isolamento social de estudantes, obrigação de negar sua identidade religiosa com risco de sofrer represálias, demissão ou afastamento profissional.

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E, tudo isso, por serem adeptos de religiões de matriz africana.

O pré-conceito invade até os livros escolares, com proibição de uso de livros e do ensino/prática da capoeira e de danças afro-brasileiras na escola. Ação Educativa explica que “essa intolerância religiosa deve ser compreendida como parte do fenômeno do racismo”.

A pesquisa constatou, ainda, que há um crescimento de intolerância religiosa na escola e na sociedade, mas que poucos casos são registrados e/ou denunciados. “Tal fenômeno constitui grande obstáculo à implementação integral da Lei n. 10.639/2003 e de programas de educação em gênero e sexualidade, razão pela qual identifica-se que, no ambiente escolar, os temas racismo, intolerância religiosa, direitos sexuais e reprodutivos e laicidade estão fortemente correlacionados”.

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Em publicação do UOL e da BBC, Pai Costa, de 63 anos, há 45 atuando como dirigente umbandista no Rio de Janeiro, desabafa que "é triste chegar aqui e ver os cadeados arrombados, tudo bagunçado, imagens jogadas na rua, quebradas. É uma violação do nosso espaço sagrado". Pai Costa diz que nunca esteve tão preocupado com atos de violência contra os praticantes de cultos de matriz africana.

Como publicado no UOL, devido a onda de grave violência, vários terreiros “investiram pesado em segurança, com cercas de arame farpado, muros com cacos de vidro, alarmes com sensores de movimento, cadeados e portões reforçados, além de câmeras de vigilância - alterações que levam alguns dos centros a parecerem mais fortalezas medievais do que centros de devoção religiosa”, conforme afirma a publicação do portal.

Pai Costa, por exemplo, após três invasões em seu terreiro, gastou R$ 4.500 para instalar oito câmeras, um sistema de alarmes e cercas de arame farpado, afim de poder ver tudo que está acontecendo, recuperar as imagens e enviar para a polícia.

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Ele conta: “A primeira, em dezembro do ano passado, e as outras em janeiro e abril deste ano. Eles já deixaram uma Bíblia sobre minha mesa. Abrem arquivos, espalham papéis, quebram garrafas de bebida e jogam sobre as imagens. Levam oferendas para a rua, quebram e deixam tudo largado”, relata em publicação no UOL.

O Guia de Direitos ressalta que a Constituição Federal versa sobre a liberdade de expressão e de culto, asseguradas, inclusive, pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. A #Religião e a crença não podem e nem devem ser uma barreira ao respeito e a fraternidade nas relações humanas, independente da orientação religiosa.

O Brasil é um país de Estado Laico, ou seja, não há uma religião oficial e o Estado se mantém imparcial diante das mais diferentes religiões. Estado e Igreja se separam, mas parece que a bancada de políticos evangélicos, que legisla para sua Igreja e ignora o restante da sociedade, finge não saber, dando mau exemplo para a sociedade cristã, levando pessoas a cometer atos criminosos, já que o exemplo vem de cima.

Vale ressaltar a diferença ente a crítica religiosa e a intolerância. A crítica a dogmas de uma religião são assegurados pela liberdade de #Opinião e expressão. Todavia, o desrespeito a um determinado grupo religioso passa a ser crime de preconceito, intolerância e ódio. #Casos de polícia