A TV Cultura de São Paulo é um marco da história paulista, paulistana e também do Brasil. Considerada a 2ª melhor TV em qualidade no mundo pelo instituto de pesquisa britânico Populus em 2015, ela é uma emissora pública de caráter educativo e cultural.

Oriunda dos Diários associados de Assis Chateaubriand, a emissora nasceu em 1960 para ser o palco eletrônico para conteúdo cultural e social. Após crises e incêndios, a emissora foi vendia para o Governo de São Paulo, em 1965.

Atuando sob a forma de uma fundação, seus recursos são de repasses do governo estadual e da veiculação de publicidade de empresas e anunciantes.

Mas com o encolhimento da receita publicitária e redução do repasse do governo, a crise atingiu sua estrutura.

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Em junho, 53 funcionários foram demitidos e há rumores de mais demissões no canal. Por este motivo, ex-apresentadores e profissionais que trabalharam lá iniciaram uma campanha de conscientização nas redes sociais para alertar sobre o possível desmanche e encolhimento das atividades do canal.

Segundo o blogueiro Luis Nassif, a TV Cultura tem hoje um orçamento de cerca R$ 230 milhões. Desse total, R$ 50 milhões vêm da venda de espaço nos intervalos dos programas para anunciantes privados.

Outros R$ 60 milhões são oriundos da prestação de serviços, como é chamada na emissora a produção de programas e vídeos para instituições como: o Tribunal Superior Eleitoral, a Procuradoria da República, a TV Assembleia (do Estado de S.Paulo) e a TV Justiça. Ainda segundo Nassif, a direção do canal pretende reduzir de 1800  para 400 profissionais contratados.

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Ao estar sob olhares do Estado, sua saída foi produzir e exibir conteúdos de referência. Se esse controle foi bom ou não, é difícil mensurar. Desta situação, surgiram os melhores e pioneiros programas da #Televisão brasileira.

Como o infantil Castelo Rá Tim Bum, que embutia convivência, vida e juventude em um mundo de integração da criança com o meio ambiente, social e cultural. Grandes valores pedagógicos foram transmitidos para as crianças com este programa.

O programa interiorano Viola Minha Viola, com sua vocação caipira musical, que tinha nos cantores de música raiz, caipira ou sertaneja a extensão do que foi o Brasil durante décadas: a busca por sua identidade, do êxodo rural e do despertar de uma nação para a revolução industrial.

Há também o excelente programa Matéria de Capa, tão rico e bem elaborado em aprofundar nos assuntos que aborda e ao mesmo tempo com conteúdo jornalístico de primeira qualidade. Os elogiáveis Metrópolis, Provocações, Roda Viva e tantos outros produtos.

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As passagens históricas e de transformações do Brasil nas décadas de 80, 90, 2000 e também do século XXI puderam ser expostos e discutidos de maneira mais aprofundada e sem a pasteurização que a audiência exige ou que se faz necessário cortar para prender a atenção do telespectador.

TENTATIVA DE INTEGRAÇÃO COM A TV BRASIL

Tive a oportunidade estar no lançamento da antena de transmissão da Empresa Brasileira  de #Comunicação - EBC em 2008, marco para o Estado de São Paulo e que acenava como uma possível integração entre os canais como parte integrante de um sistema nacional.

Ali, acreditava, que a vocação da prestigiada emissora alcançava patamares de união, apesar de estarem atreladas a governos diferentes (A emissora paulista sob a batuta do PSDB e a EBC sob a alçada do PT). Atualmente, a TV Brasil é transmitida pela torre da TV Cultura em São Paulo.

CONTRAPONTO MINEIRO

Recentemente, a TV Educativa de Minas Gerais recebeu a notícia que receberia 10,5 milhões de reais para investimento em sua programação, modernização tecnológica da emissora para a migração do sinal analógico para o digital, segundo notícia dada pela Assembleia Legislativa de Minas.