Depois do desmoronamento da União Soviética, nos anos 90, os Estados Unidos da América (#EUA) foram vistos como a única superpotência mundial, econômica e militar. Naquela época, dois presidentes norte-americanos anunciaram a Nova Ordem Mundial; ordem baseada em Pax Americana, а pаz ditada pelos EUA e imposta ao mundo, na maioria das vezes, com desrespeito às leis internacionais e a própria ONU.

Duas décadas mais tarde, no entanto, a Rússia e a China começaram a desafiar a posição exclusiva e privilegiada dos EUA, colocando em evidência uma nova versão, mais atualizada, da Nova Ordem Mundial dos anos 90. Os dois países introduziram o conceito de um mundo multipolar, com mais de uma superpotência militar e econômica.

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Alguns fatos tornaram possível essa busca por um mundo multipolar: a Rússia alcançou o nível da tecnologia militar norte-americana, em muitas áreas conseguiu até ultrapassá-lo, enquanto a China vem se tornando economicamente cada vez mais forte, ameaçando seriamente a supremacia norte-americana.

Ao mesmo tempo, paralelamente à ascensão das duas novas superpotências, nos EUA está ocorrendo um processo inverso: deslocamento da indústria para países com mão de obra barata, crise econômica e financeira e decadência da sociedade americana, acompanhados pelo empobrecimento dramático da parcela mais vulnerável de sua população. Em muitos casos, esse empobrecimento assumiu proporções inimagináveis até alguns anos atrás.

Kathryn J. Edin e H. Luke Shaefer, autores do livro "$2.00 a Day: Living on Almost Nothing in America" ("Dois dólares por dia: Sobreviver nos Estados Unidos sem renda"), afirmam, depois de estudar a pobreza em seu país por duas décadas: o número de cidadãos americanos que tentam sobreviver com apenas dois dólares por dia mais que dobrou nos últimos 20 anos, colocando um milhão e meio de famílias e três milhões de crianças numa situação de desespero, visto que não possuem nenhuma renda.

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Lembramos que US$ 2,00 equivale hoje a R$ 7,50.

Os casos que os autores apresentam são estarrecedores; por exemplo, há famílias cujas únicas fontes de renda são doações de plasma sanguíneo, duas vezes por semana, enquanto outras não têm outro alimento senão leite estragado nos fins de semana. O quadro é semelhante aos dos países como Bangladesh e Etiópia. E não se trata de mendigos ou de usuários de drogas, como dizem os autores da pesquisa. Trata-se de famílias de trabalhadores.

Os 75 milhões de dólares gastos para combater a pobreza, anunciados aqui ou alí, são apenas um balde d´água num oceano. Apenas para o golpe de estado na Ucrânia, país vizinho da Rússia, os EUA gastaram 5 bilhões de dólares entre 2009 e 2014.

Deixamos para os sociólogos americanos a análise desses resultados, mas não podemos deixar de observar que os EUA são líder mundial em gastos militares. Segundo a Wikipedia e as informações retiradas do Stockholm International Peace Research Institute, este país gastou para fins militares 970 bilhões de dólares, apenas em 2008.

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#Opinião #Crise econômica