A atual bandeira da Nova Zelândia é azul, com uma miniatura da bandeira do Reino Unido (a “Union Jack”) no canto superior esquerdo e quatro estrelas de 5 pontas que simbolizam a constelação Cruzeiro do Sul. Muito parecida com a bandeira da Austrália, só é diferente pelo número, formato e cor das pequenas estrelas. Isso já foi suficiente para criar vários litígios entre as ex-colônias britânicas, visto que as bandeiras são facilmente confundidas, somado ao fato de que o #Governo neozelandês não sente que a bandeira reflita de fato a identidade nacional do país.

Se você esteve sintonizado nos últimos dias, deve ter ouvido sobre o plebiscito para a escolha de uma nova bandeira para a Nova Zelândia devido aos problemas supracitados.

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O primeiro-ministro, John Key, reeleito em setembro do último ano, quer apagar o passado colonial e realizar um exercício de meditação sobre a identidade do país. De mais de 10 mil desenhos enviados para seleção, o parlamento selecionou os 4 melhores na última terça feira (01). O significado de cada uma delas pode ser conferido aqui.

Alguns pensam que é apenas uma mudança de bandeira, nada significativo. Outros sabem do peso que uma bandeira tem na estrutura institucional de qualquer Estado. A escolha da bandeira da Nova Zelândia deveria servir de exemplo para repensar a identidade nacional, uma reflexão que o Brasil, no momento atual, necessita severamente.

A triste realidade brasileira

De 2011 a 2015 houve um aumento de 67% no total de Declarações de Saída Definitiva do País, o documento apresentado ao Fisco por quem emigra.

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As justificativas daqueles que fazem as malas são principalmente o contexto de crise do país e desilusão com os governantes. O cenário político brasileiro está concentrado em dois eixos: governantes com projetos de curto prazo que mais beneficiam seus bolsos do que a sociedade e brasileiros que preferem abandonar o país do que tentar reestabelecer a ordem e o progresso. "O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim" de Augusto Comte parecem ter desaparecido do imaginário brasileiro. O problema é que isso tudo faz a identidade nacional ser ofuscada por taxas de inflação altíssimas, emigrações, homicídios, câmbio desvalorizado, corrupção, escândalos, manifestações contra o governo, entre outros indicadores. E alternativas para realmente melhorar o país? Cadê?

Como o historiador José Murilo de Carvalho relata em “A Formação das Almas”, o momento em que “Ordem e Progresso” foram escritos na flâmula é um dos únicos, se não o único momento de participação popular na criação da República.

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Havia uma atmosfera favorável à “ordem e progresso” e a ideia de que eram necessários para o bom andamento do país, o lema era “positivo” para a jovem República que nascia. Nos dias de hoje, precisamos de gente que conteste a realidade brasileira e reestabeleça o “amor por princípio” de Comte e que pense em alternativas para trazer de volta a ordem e o progresso. A acepção de tal epígrafe recai no #Comportamento do indivíduo como cidadão e no magnetismo que atrai um a um sob o pseudônimo de nação. Ernest Renan aponta em “What Is a Nation?” que uma nação é um exercício de “referendo diário” e é baseada naquilo que os indivíduos socialmente esquecem. E quantas vezes não nos esquecemos do “Ordem e Progresso”?

O referendo para escolha da nova bandeira da Nova Zelândia reverbera um exercício de cidadania que toda nação deveria praticar: uma ponderação sobre os próprios valores enquanto sociedade. Que em março de 2016 os neozelandeses possam perpetuar em sua flâmula a essência de sua cidadania e que estejam propensos a seguir o mote absoluto de sua pátria.

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