As canções da Grécia são consideradas por especialistas e críticos musicais como uma das mais lindas do mundo por vários motivos, tais como: arranjos bastante sonoros, melodias sentimentais, combinação perfeita de vários instrumentos antigos e modernos e a cultura grega como um todo que dá um toque especial às composições.  Analogamente falando, é como se um brasileiro amante da #Música ficasse muito feliz de receber o presente de uma canção escrita pelas mãos de Maria Bethânia, #Ivete Sangalo ou Alcione, cantoras e compositoras brasileiras consagradas diante do público e crítica. 

Foi exatamente isto que aconteceu com uma menininha de ascendência cipriota-grega cujo nome é Anastasia Isaak, que recebeu de ninguém mais, do que da famosíssima cantora grega viva, Xáris Alexíou uma canção escrita pela mesma.

Publicidade
Publicidade

É uma das canções mais belas da talentosa cantora e compositora Xaroúla como é também conhecida. O título da canção por si só é sugestivo, revestido de sentimento e história de uma nação, a saber: “To tragoúdi tou xelidonioú” (A canção da andorinha), que antes de ser somente uma canção de ninar, terna, poética e doce, como as canções deste gênero geralmente o são, é a expressão de culturas e sentimentos milenares, por vezes represados por questões políticas e territorialistas estúpidas. 

"A canção da andorinha” foi feita após 1 ano do assassinato de Tasos Isaak, que é considerado um genuíno herói nacional na ilha de Chipre e na Grécia. A “ilha dividida” como é conhecida Chipre, é hoje habitada por gregos e turcos, tendo sido invadida militarmente pela Turquia na parte norte em 1974. O Germe da canção sem que ninguém soubesse começou a criar vida em 08/1996 quando um grupo de motociclistas amigos decidiu sinalizar os 22 anos de divisão da ilha, saindo de Berlim na Alemanha e alcançando a Nicosia e Cirênia, cidades cipriotas. 

O objetivo era protestar ao longo da linha de cessar-fogo que divide a parte grega da turca.

Publicidade

Simultaneamente os denominados “Lobos Cinzentos”, facção de direita a favor da Turquia, rumava em direção ao local das manifestações, o que acabou resultando na morte do jovem Tasos Isaak, refugiado da ilha de Chipre que foi covardemente abatido com pedradas, machadadas e chutes ao ficar preso no arame farpado que circula a área até hoje. 

Pode parecer incoerente, mas esta canção de ninar foi escrita para a pequena filha de Tasos, Anastasia, que não conheceu o pai, pois por ocasião do assassinato, ela ainda estava no ventre de sua mãe Maria. A canção foi inspirada na fotografia da neném nos braços maternos. Assim, Xáris Alexíou compôs “To tragoúdi tou xelidonioú”, repleta de promessas de que a vida para a menina será linda, revestida de encantos e felicidade, de que nada deve temer, pois Deus a livrará das coisas ruins do mundo, como é bem expresso na estrofe da música: “Venha aqui perto; para eu te dar um beijinho. Venha, não chore minha pequena andorinha branca." Moral da história: muito embora com todo este cenário político como pano de fundo, A canção da Andorinha” é ainda uma linda canção com que as mães da Grécia e Chipre colocam seus bebês para dormir.

Publicidade

#Comportamento