Quando afirmo que sou um enorme fã de Paulo Maluf (PP-SP) é justamente pela coragem dele de nunca fugir da imprensa, sempre dar entrevistas e até mesmo aceitar participar de programas humorísticos. Ele é ótimo neste sentido, principalmente quando falam das contas em paraísos fiscais que ele teria.

Maluf sempre alega, sem fugir, que as contas não são dele, que não foi ele quem abriu, que se alguém quis abrir para ele, ele não tem culpa por isso. Argumentação fraca, porém, tem dado certo. Deixando Maluf e o jeito político dele de lado, vamos ao caso atual: #Eduardo Cunha.

O presidente da Câmara, que dificilmente fugia de entrevistas e declarações polêmicas, que adorava aparecer, agora está se esquivando ao máximo das câmeras e dos microfones, tudo porque a Suíça revelou que ele tem cerca de US$ 5 milhões em contas por lá.

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Segundo as investigações, o dinheiro chegou ao país por meio de empresas fantasmas e não foi declarado por Cunha durante o registro de candidatura.

E, pior, ele mentiu à CPI, pois disse que não tinha contas em outros países. Ou seja, agora ele está com medo de falar porque não sabe como irá explicar essa situação.

Cunha, numa das poucas declarações que deu depois desse escândalo, falou que isso é uma armação contra ele. Então porque ele não faz igual ao senador Romário (PSB-RJ) e apresenta provas de que essas contas não existem e processa os jornais e revistas que estão noticiando isso? Quando o ex-jogador passou por isso, logo tomou iniciativa de apresentar as provas necessárias de que ele era inocente.

A revista Veja reconheceu o erro e chegou a publicar (sem muito estardalhaço) um pedido de desculpas.

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Por que Eduardo Cunha não tenta fazer o mesmo?

Em um parlamento sério, Cunha ou já teria sido afastado ou já teria pedido para se afastar, pelo menos durante o período de investigação. Mas, infelizmente, o nosso Congresso não está sério, e aí bizarrices assim acontecem. Outra coisa inexplicável é que o próprio Cunha decidirá se abrirá um processo contra ele.

As representações encaminhadas pelo Conselho de Ética da Câmara precisam ser analisadas e colocadas a votação pela Mesa Diretora. E quem preside a Câmara? O próprio Cunha, ou seja, nada acontecerá.

O problema todo é que ele se acha inatingível. Por mais que seja investigado pela Lava-Jato, por mais que tenha conta não declarada na Suíça, Cunha se acha tão poderoso que ignora isso tudo. Oras, senhor deputado, por que o senhor não se justifica? Por que se acha tão poderoso? É porque o senhor amarra os outros nobres parlamentares que o protegem?

Dizem por aí a boca miúda que Cunha não será investigado porque ele está dando proteção aos outros parlamentares que poderiam ser investigados no futuro, ou seja, vocês me protegem, não me investigam e eu faço o mesmo para vocês.

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É um toma-lá-dá-cá.

Essa teoria de que ele troca favores para se manter no poder fica mais claro com relação ao possível impeachment da presidente Dilma (PT). Ele está usando o assunto para mandar recados ao Palácio do Planalto. Algo como “vocês me ajudam e eu ajudo vocês”. Ele disse que os pedidos de cassação dela seriam recebidos. E recebeu. Porém, tem arquivado todos até o presente momento, mas já declarou que o PT tem que lembrar que os pedidos podem ser revistos ou reenviados.

Em outras palavras, enquanto ele estiver se dando bem e protegido, ele dará a proteção em troca. Tanto é que alguns petistas já declararam que não querem o afastamento de Cunha e que até agora não viram nada de errado com relação a ele.

Enfim, essa balbúrdia precisa de um ponto final. Ficar nessa situação sem pé e sem cabeça não dá mais. Um Congresso falido, um Governo perdido, uma presidente que quer estocar vento, um presidente da Câmara investigado e que não arreda o pé do cargo, uma confusão tão grande que não dá nem para enumerar aqui.

Acho que a melhor maneira para terminar este texto é usando uma frase bastante conhecida por Cunha: “O nosso povo merece respeito”. #Opinião #Blasting News Brasil